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Uber lança novos serviços no Porto e Lisboa. Câmara do Porto reúne-se hoje com taxistas

A lógica de funcionamento da Uber é a mesma: a aplicação "liga em tempo real, à distância de um simples toque" motoristas profisisonais e utilizadores. Avança o motorista da base de dados que estiver mais perto do cliente

Rui Duarte Silva

A aplicação Uber lança esta terça-feira um novo serviço de transporte, comercial e licenciado, nas duas maiores cidades portuguesas. O Ministério da Economia conclui que este serviço atua apenas no segmento liberalizado, não concorrendo diretamente com a atividade dos táxis.

A Uber, a startup americana das "boleias pagas", reforça a partir desta terça-feira a sua operação em Portugal, estreando a aplicação na cidade do Porto e lançando um novo serviço em Lisboa. O uberX é um serviço com motoristas profissionais e licenciados. Mas a Câmara do Porto vai reunir-se esta tarde com representantes de taxistas, antes de tomar uma posição sobre o novo fator "de mobilidade urbana".  

Em julho passado, a Uber acrescentara Lisboa à lista de 250 cidades de 50 países em que a sua aplicação móvel para smartphones está disponível, através da modalidade mais cara e elitista - a uberBlack, um serviço de aluguer de carros de luxo.

A partir de hoje, os utilizadores de Porto e Lisboa passam a dispor do serviço uberX, um classe intermédia entre o topo de gama (Black) e a mais barata (Pop) de partilha de carros, que não estará disponível em Portugal.

A lógica de funcionamento é a mesma: a aplicação "liga em tempo real, à distância de um simples toque" motoristas profisisonais e utilizadores. Avança o motorista da base de dados que estiver mais perto do cliente. A diferença entre os dois serviços reside na frota automóvel e a tabela de preços. A Uber fica com 20% do valor pago. 

 

Dois cliques

Rui Bento, responsável da Uber Portugal, exemplifica. Abre a aplicação, navega no mapa e clica na barra que define o local de partida. No caso, um hotel na Avenida da Boavista, no Porto. Volta ao mapa, escolhe o local de destino, neste caso Matosinhos, a sede do grupo Impresa. A aplicação indica que o preço ficará no intervalo entre os sete e 10 euros. Depois, basta clicar novamente para pedir o serviço. No telemóvel, surge o nome e fotografia do motorista.

A Uber "é a forma mais simples de viajar na cidade: o GPS deteta a localização do utilizador para que o motorista saiba exatamente onde o ir buscar e quanto tempo levará a chegar", resume Rui Bento.

A aposta no Porto decorre da "procura latente" registada, face ao número de utilizadores que recorriam, em vão, à aplicação. O serviço pode ser replicado noutras cidades.

Todo o processo, incluindo o pagamento, é tratado através da plataforma. Como "tudo é digital, tudo deixa rasto", avisam os fundadores da tecnológica. Na Uber, não existem notas ou moedas e as tarifas são debitadas no cartão de crédito do passageiro registado previamente na aplicação quando este chegar ao destino.  No caso português, o sistema já estáligado ao e-fatura.

A empresa não revela números nem faturação. São "elementos operacionais e sensíveis", responde Rui Bento.

No caso do uberX, a base de partida é um euro (dois euros uberBlack) e o preço sobre à razão de 10 cêntimos por minuto e 65 cêntimos por quilómetro. Com o Black o custo é de 30 cêntimos por minuto e 1,10 euro por quilómetro. O consumo mínimo no uberX é 2,5 euros (oito no Black).

 

Rui Moreira atento

O argumento da Uber combina "a conveniência com a segurança e fiabilidade" do serviço. Um dos fundadores, Travis Kalanick, já decretou que "dentro de 20 anos ninguém vai  ter automóvel próprio".

Em Portugal, o Ministério da Economia conclui que este serviço de transporte atua apenas no segmento liberalizado, não concorrendo diretamente com a atividade do táxi.

No caso do Porto, a Uber informara há umas semanas a Câmara Municipal de que tencionava lançar o serviço na cidade, sem todavia indicar datas concretas. Esta segunda-feira, a Câmara recebeu um email a avisar que o uberX  chegava terça-feira ao mercado da mobilidade.

O presidente Rui Moreira remete "uma posição política" para depois da reunião que a própria Câmara tomou a iniciativa de marcar com os representantes dos taxistas.

 

Dezembro negro

O novo lançamento em Portugal surge num mês desastroso para a imagem da tecnológica de Silicon Valley, fundada há cinco anos pela dupla Garett Camp e Travis Kalanick e avaliada em 32 mil milhões de euros, depois das entradas no capital da Google e Goldman Sachs.

O modelo Uber tem estado sob fogo cerrado dos taxistas e autoridades das principais cidades europeias e bem dispensava o infeliz incidente ocorrido em Nova Deli, na Índia, em que um motorista da rede foi acusado de violação. 

Esta segunda-feira, em Paris, os taxistas organizaram um buzinão em marcha lenta entre os dois aeroportos e o centro da cidade e o Governo já anunciou que o serviço será proibido em janeiro. Em Espanha, Alemanha, Bélgica e Rio de Janeiro a aplicação tem sido considerada ilegal, na versão Pop (carros de particulares). E tem sofrido alguns revezes em estados americanos.

Rui Bento classifica as polémicas de "agitação à volta da Uber" e que, ela "faz parte de atividade", tendo em conta a dimensão que o negócio alcançou.

Na Uber coexiste a lógica da economia colaborativa (a "boleia paga") com o serviço comercial, o segmento que é explorado em Portugal.

Rui Bento garante que "a segurança é a principal prioridade" e que "motoristas e automóveis da plataforma respeitam todas as normas de segurança". Ao chamar um Uber, "o utilizador recebe a fotografia do motorista, indicação de marca e modelo do carro, e matrícula do veículo".

Durante a viagem, "os utilizadores podem acompanhar e partilhar o seu percurso em tempo real através de GPS com os seus amigos e viagem, com uma estimativa de quanto tempo levarão a chegar ao seu destino final, assegurando que chegam em segurança".