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Três sindicatos da TAP mantêm greve

Com a validação dada por Cavaco Silva, o Executivo está agora a postos para avançar com o caderno de encargos da operação

Luís Barra

Nove dos 12 sindicatos que representam os trabalhadores da TAP desconvocaram a greve. SITAVA (Trabalhadores da Aviação Civil), SINTAC (Trabalhadores da Aviação e Aeroportos) e SNPVAC (Pessoal de Voo) mantêm "todas as ações de luta agendadas".

Três dos 12 sindicatos que representam os trabalhadores da TAP reafirmam a intenção de "manter todas as ações de luta agendadas e reiteram a sua determinação nos objectivos da mesma, exortando todos trabalhadores a manterem-se unidos em torno das suas estruturas sindicais". É esta a posição conjunta do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SItava), afeto à CGTP, e do Sindicato Nacional dos Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), afeto à UGT - que representam no seu conjunto "mais de 50% dos trabalhadores da TAP". O SNPVAC adianta não ter sido confrontado com "nenhum memorando para analisar e/ou assinar", respeitante à desconvocação da greve.

Nove dos 12 sindicatos desconvocaram a hoje a greve, através da assinatura de um memorando em que aceitam a proposta do Governo para se criar um grupo de trabalho para discutir a reprivatização da companhia aérea.

"Os sindicatos signatários e o Governo aceitaram as bases de um memorando visando a criação das condições subjacentes ao funcionamento do Grupo de Trabalho, no âmbito da eventual reprivatização do Grupo TAP. Neste pressuposto, estão reunidas as condições para a desconvocação da  greve prevista para os dias 27 a 30 de Dezembro do corrente ano", anunciou hoje a plataforma de nove sindicatos em comunicado.

De acordo com um comunicado enviado à redação do Expresso, os três sindicatos que ficaram de fora desta decisão consideram que "a opção do Governo, ao decretar a requisição civil dos trabalhadores do Grupo TAP, como forma de neutralizar a sua luta, não só mostra a sua natureza antidemocrática e autoritária, como é também prepotente, desproporcionada e atentatória dos mais elementares direitos cívicos e de cidadania, colocando-se, claramente, em confronto com a Constituição da República Portuguesa ao negar a estes trabalhadores o direito à greve".

"Informa o Governo que a requisição civil, à qual os sindicatos signatários já deram o adequado tratamento jurídico, interpondo a ação competente, e as ameaças proferidas por membros do governo no sentido de intimidarem os trabalhadores, e assim tentarem desmobilizar as suas acções, terá certamente o efeito contrário ao pretendido", acrescentam os sindicatos. E prometem: "cientes da necessidade da continuação da luta até à suspensão do processo de privatização em curso", que irão "promover em breve novas acções de luta tendentes a prosseguir esse objetivo".