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Três brasileiras olham para a TAP

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Efromovich e acionistas da Azul e da Gol pediram informação. Pais do Amaral e três private equity também.

Foram sete as entidades que assinaram o acordo de confidencialidade para obter mais informações sobre o processo de privatização da TAP. A notícia foi avançada na segunda-feira pelo portal brasileiro Panrotas, dando conta de que três destas representam investidores ligados às companhias aéreas brasileiras Avianca, Azul e Gol. Fontes conhecedoras do processo confirmam ao Expresso que não há mais investidores estratégicos na corrida.

Os restantes quatro investidores que pediram para aceder à informação sobre a TAP, apurou o Expresso, são financeiros, entre os quais se inclui o consórcio formado pelo empresário português Miguel Pais do Amaral e três sociedades gestoras de fundos de private equity. A Apollo Global Management, que também tem manifestado interesse no Novo Banco, é uma delas, segundo soube o Expresso junto de fontes próximas do processo. No entanto, a Apollo não comenta.

A companhia espanhola Air Europa, cujo acionista Globalia chegou a partilhar com a TAP o capital da operadora de handling Groundforce, já tinha mostrado vontade de entrar na corrida, mas ao que o Expresso apurou ainda não assinou o acordo de confidencialidade. Questionada, a Globalia não respondeu.

O Governo disponibilizou uma sala virtual com toda a informação financeira necessária à apresentação das propostas por parte dos potenciais candidatos, que só pode ser acedida depois de assinado o referido acordo de confidencialidade. O acesso à informação não significa, porém, que todos avancem com propostas. Conforme sublinha uma das fontes ligadas ao processo, as sociedades gestoras de private equity, por exemplo, podem aceder à informação na expectativa de numa fase posterior virem a investir com os candidatos estratégicos ou simplesmente porque estão interessadas em ver o processo.

Por isso, nesta fase, o Governo opta por não divulgar o número de potenciais interessados "porque sabemos que a existência de entidades que possam olhar para o processo não garante a entrega de propostas", afirmou esta semana o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro. Recorde-se que, no anterior processo, em 2012, houve vários investidores que acederam ao chamado "data room" da empresa, mas, no final, apenas um avançou com uma proposta - Germán Efromovich, dono do grupo brasileiro Synergy Aerospace, que controla a Avianca Taca e a Avianca Brasil (ex-OceanAir).

Efromovich nasceu na Bolívia, naturalizou-se brasileiro, tem nacionalidade colombiana e é filho de pais polacos. A lei de cidadania polaca baseia-se na regra jus sanguinis (lei de sangue), o que significa que o direito à cidadania polaca passa de pai para filho, sem limite de gerações. Ou seja, o empresário também é europeu.

Uma questão de capital

As normas comunitárias impedem que companhias aéreas não-europeias detenham mais de 49% das europeias. No caso dos acionistas da Azul e da Gol, apesar de não serem europeus, a questão da geografia poderia ser 'resolvida', por exemplo, com um parceiro comunitário para em conjunto concorrerem à compra da TAP. Mas tal solução só será avaliada depois de a informação ter sido toda analisada e de a decisão de avançar, ou não, ser tomada, garante o assessor de um dos eventuais interessados.

A intenção do Governo é concluir a venda até ao final do primeiro semestre, pelo que os candidatos têm até 15 de maio para entregar as suas ofertas.

O modelo escolhido passa pela alienação de até 66% do capital do grupo TAP (61% junto de investidores e 5% junto dos trabalhadores), sendo que os seus futuros donos poderão exercer uma opção de compra passados dois anos e durante um período de seis meses. O Governo fica ainda com uma opção de venda dos restantes 34% do capital, podendo o Estado sair totalmente do capital.