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"Trata-se de um stress muito grave": a ata em que Morais Pires revela a "tempestade perfeita" no BES

FOTO JOSÉ CARIA

Amílcar Morais Pires disse esta quinta-feira no Parlamento que alertou para a situação de grave stress no Banco Espírito Santo. E referiu que esses alertas ficaram registados em ata - que foi enviada para o Banco de Portugal -, onde contrariava a "mensagem de tranquilidade" que era veiculada pelas autoridades portuguesas no mês de julho.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

"Aconselho muito vivamente os senhores deputados a lerem essa ata", disse Amílcar Morais Pires na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES. A ata em causa é aqui divulgada pelo Expresso (ver fim do texto). Trata-se da reunião do Conselho Executivo do BES a 11 de julho de 2014, que tinha um único ponto na agenda: "Negociação com a Blackstone", para "apoio especializado externo com vista a uma eventual operação de recapitalização".

Dada a palavra a Morais Pires, o CFO demissionário do banco fez um alerta sério sobre a "situação atual muito problemática" do BES: "A cotação do banco está em forte queda, o preço dos CDS's [contratos de seguros de risco, indicadores de risco do banco] do BES subiu muito significativamente, o custo da sua dívida em mercado secundário aumentou também muito e têm-se registado saídas de depósitos e cortes de linhas interbancárias em montante elevado. Trata-se, em suma, de um contexto de stress muito grave, de que é fundamental o Conselho estar bem ciente".

"Apesar de compreender o tom de tranquilidade empregue pelas autoridades, por forma a mitigar os receios e potenciais riscos de pânico", Morais Pires sublinhava que "não podia assumir essa posição". Pelo contrário: a situação era tão grave que podia ser necessário "recorrer à facilidade de liquidez de emergência do Banco de Portugal".

Conclusão: o BES estava perante "uma tempestade perfeita", considerou Morais Pires, "que se pode agravar no decurso da próxima semana".

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