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Toyota lança à estrada 600 carros híbridos plug-in

A Toyota está a colocar de pé o maior programa de teste de um veículo híbrido eléctrico recarregável a nível mundial. Ao todo, serão 600 as unidades do novo Toyota Prius Híbrido Eléctrico Plug-in (PHEV) que participarão neste projecto de três anos.

Alexandre Coutinho* (www.expresso.pt)

Tadashi Arashima, presidente da Toyota Motor Europe

Tadashi Arashima, presidente da Toyota Motor Europe

"Para o sucesso deste novo Prius são necessárias infraestruturas e tivemos de encontrar os parceiros certos e realizar investimentos", frisa Tadashi Arashima, presidente da Toyota Motor Europe. Em França, a colaboração entre a Toyota e a EDF teve início em 2007, com a colocação de três protótipos em circulação na frota da empresa. Os primeiros estudos demonstraram que 55% dos automobilistas franceses faz viagens diárias de menos de 10 quilómetros e 75% percorre menos de 20 quilómetros, o que viabiliza a utilização de veículos com uma motorização híbrida eléctrica.

"Ainda não produzimos estes veículos em grandes números. Temos de esperar pela reacção do mercado e este teste com 200 veículos na Europa é decisivo", sustenta o mesmo responsável, ao adiantar que o Prius Híbrido Plug-in poderá ser comercializado entre 2012 e 2013. "Tecnologicamente o carro está pronto, o problema está no custo acrescido das baterias. É significativo", afirma Tadashi Arashima.

"Para a Toyota, um veículo híbrido eléctrico tem de corresponder a três requisitos: não ser nocivo para o ambiente; ser de fácil utilização; e ter um preço acessível", afirma Takeshi Uchiyamada, vice-presidente da Toyota Motor Corporation. "O novo Prius vai ser mais caro do que um híbrido convencional, mas mais barato do que um automóvel 100% eléctrico. Infelizmente, ainda não estou em condições de anunciar o seu preço, mas no dia em que o comercializarmos, fará o consumidor hesitar entre comprar um híbrido ou um automóvel tradicional", acrescenta.

"A Toyota já vendeu mais de 2,4 milhões de veículos híbridos em todo o Mundo", sublinha Takeshi Uchiyamada, convicto da marca estar no caminho certo. O construtor japonês quer vender um milhão de veículos híbridos por ano, a partir de 2010 e anuncia que terá, pelo menos, uma opção com motorização híbrida em todos os modelos até 2020.

Takeshi Uchiyamada, vice-presidente da Toyota Motor Corporation

Takeshi Uchiyamada, vice-presidente da Toyota Motor Corporation

Embora considere tratar-se, apenas, "de uma das energias do futuro", Gerald Killmann, responsável pelo desenvolvimento das motorizações na Toyota Motor Europe, aposta na colocação no mercado de um Toyota híbrido a células de combustível, em 2015. "Estamos a estudar os carros com células de combustível mas ainda temos de resolver questões como a produção de hidrogénio sem emissões de CO2, a forma de o armazenar nas estações de serviço e nos carros. Nestes últimos, provavelmente, a altas pressões de 700 bars", revela.

A tecnologia desenvolvida pela Toyota possibilita a utilização da mesma plataforma para diferentes tipos de veículos. "A base do Prius é a mesma para todos os híbridos, veículos eléctricos ou com células de combustível. As baterias e o motor eléctrico são os mesmos. A filosofia é a de uma plataforma tecnológica e não de um carro - explica Gerald Killmann - é o melhor de dois mundos: a autonomia do motor térmico e a limpeza do motor eléctrico".

"Carros 100% eléctricos? É difícil. Tudo depende das baterias. Actualmente, a densidade de energia nas baterias não compete com os motores a combustão. Apenas podem substituir os pequenos automóveis citadinos. Para os restantes, a melhor solução são os híbridos plug-in e os híbridos a células de combustível", comenta Tadashi Arashima.

Em Portugal, já foram vendidos cerca de 2000 Toyota Prius Híbridos, por valores situados entre os 28 e os 30 mil euros, conforme o nível de equipamento. Destes veículos, cerca de 60% já foram intervencionados nos concessionários da marca, para verificação do sistema do pedal do acelerador, na sequência de alguns problemas ocorridos nos Estados Unidos, mas os responsáveis da empresa desconhecem se algum destes automóveis representava um potencial perigo para os seus utilizadores.

 

*O jornalista viajou a convite da Toyota Caetano Portugal