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Teixeira dos Santos recorda pedido de resgate. "O dia mais longo e mais difícil"

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José Sócrates ainda pediu 24 horas a Teixeira dos Santos para ver se não haveria alternativas ao pedido de resgate

João Carlos Santos

No dia em que passavam quatro anos do anúncio de que Portugal precisaria recorrer às instituições financeiras internacionais para cumprir os seus compromissos, o ex-ministro das Finanças de José Sócrates explicou-se ao país e contou como pressionou o então chefe do Governo.

Chrstiana Martins

O ministro das Finanças que liderou o pedido de ajuda financeira a 6 de abril de 2011 voltou esta segunda-feira a abordar o pedido de resgate de Portugal, numa entrevista à TVI. "A minha preocupação era convencer o primeiro-ministro da necessidade deste pedido de intervenção externa. Estou convencido de que o primeiro-ministro já tinha percebido que o país não podia evitar o pedido de ajuda, mas penso que achava que o país talvez ainda pudesse manter-se algum tempo e evitar o pedido de ajuda, dentro do período de governação que iria acabar em junho com as eleições. Estou convencido que seria essa a sua intenção. Não faria sentido que um governo que tudo fez para evitar um pedido de resgate fosse o governo que afinal o iria fazer", afirmou Fernando Teixeira dos Santos.

"Tornei muito claro ao primeiro-ministro que teríamos de o fazer e que o país iria enfrentar grandes dificuldades se não o fizéssemos e que esse pedido de resgate era incontornável. Seria fatal como o destino", sublinhou Teixeira dos Santos, avançando que Sócrates ainda lhe pediu 24 horas para ver se não haveria alternativas. Contou ainda que, como não foi encontrada outra solução, decidiu sinalizar ao país, numa entrevista ao "Jornal de Negócios", que o resgate teria de ser pedido, empurrando o primeiro-ministro para essa decisão.   

"Tive vários dias longos, mas este foi sem dúvida o mais longo e mais difícil. Um dia tenso, de fricção e angústia. Mas, ao mesmo tempo, no fim do dia tinha a consciência de que tínhamos chegado a um momento decisivo de dificuldade e que tinha feito aquilo que precisava de ser feito e acabava o dia bem com a minha consciência", desabafou o ex-ministro das Finanças.