Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Tecnoforma. Três anos depois, plano de insolvência da ex-empresa de Passos é aprovado

  • 333

FOTO MANUEL TELES / LUSA

Documento sobre a insolvência inclui na lista de credores bancos como o BCP, BIC, BES, Popular, Santander e Barclays, bem como a Viagens Abreu e a Segurança Social.

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A assembleia de credores da Tecnoforma, sociedade com a qual o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, chegou a colaborar, aprovou o plano de insolvência da empresa, segundo um anúncio judicial publicado esta segunda-feira pela unidade central da Comarca de Lisboa.

O processo de insolvência da Tecnoforma arrancou em 2012, quando os administradores da empresa solicitaram a sua insolvência. O pedido de impugnação desse processo, apresentado por um ex-funcionário, motivou um atraso na votação do plano de insolvência, que acabou por arrancar a 24 de fevereiro, em Lisboa, arrastando-se por dez dias, para que vários credores pudessem votar por escrito, segundo escreveu então o Observador.

Agora, a Comarca de Lisboa publicou a notificação da aprovação do plano de insolvência, que tem como administrador João Correia Chambino. O documento sobre a insolvência da Tecnoforma - Formação e Consultoria SA inclui na lista de credores bancos como o BCP, BIC, BES, Popular, Santander e Barclays, bem como a Viagens Abreu, a Segurança Social e vários credores individuais.

Quando a Tecnoforma foi declarada insolvente, em novembro de 2012, os responsáveis da empresa chegaram a afirmar que o objetivo do plano de insolvência era recuperar a sociedade. Segundo escreveu a 24 de fevereiro o Observador, o administrador da insolvência disse nessa data que o plano traçado para a Tecnoforma demonstra que os ativos da empresa e os cursos que já lhe foram adjudicados permitirão pagar aos credores.

A empresa, que tem a sua sede em Almada, começou a ser investigada em 2013 pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e pelo gabinete de combate à fraude da União Europeia, em processos relacionados com a obtenção de fundos comunitários por parte da Tecnoforma.

O envolvimento de Pedro Passos Coelho com a Tecnoforma deu-se em 2002, quando começou a ser remunerado como consultor da empresa, colaboração que manteve até 2004. De 2005 a 2007, Passos Coelho chegou a ser administrador da Tecnoforma. Mas a ligação de Passos Coelho à empresa, de forma indireta, terá começado vários anos antes. 

A associação do agora primeiro-ministro à empresa de consultoria e formação foi avançada em 2012 pelo jornal "Público", que então deu conta de que Passos Coelho foi "o principal impulsionador", em 1996, de uma organização denominada Centro Português para a Cooperação, que funcionava na sede da Tecnoforma e era financiada por esta empresa.

O processo levantou dúvidas sobre o regime que Passos Coelho tinha enquanto deputado. Em setembro do ano passado, a Assembleia da República veio esclarecer que Passos não teve qualquer declaração de exclusividade entre 1995 e 1999.