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Subir Lall: "O grande desafio é recuperar o PIB que está ainda ao nível de 2002"

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FOTO José Ventura

O chefe de missão do FMI avisa que sem reformas estruturais o crescimento será lento nos próximos anos e o desemprego continuará elevado. Os sucessos do programa, diz, e a saída da recessão e a redução do défice externo.

Subir Lall considera que o fundamental para Portugal neste momento e acelerar o crescimento para conseguir reduzir o elevado desemprego. Embora o FMI tenha revisto em alta a previsão de crescimento este ano para 1,5%, cortou as projeções para os anos seguintes. A médio prazo, ou seja até 2019, a média de crescimento anual é agora de apenas de 1,25%. 

Numa conferência na Ordem dos Economistas,o chefe de missão do FMI começou, no entanto, por destacar o sucesso do programa: o regresso do crescimento do PIB depois de três anos de recessão e a eliminação do défice externo. 

"A última vez que o crescimento foi positivo foi em 2010 mas foi uma recuperação curta" lembrou, acrescentando ainda que "outro sucesso foi o saldo externo passar a terreno positivo", o que há décadas que não acontecia. Lall sublinhou ainda os avanços conseguidos na frente orçamental onde saldo orçamental primário (sem juros), que teve uma melhoria de 8% do PIB nos últimos anos.



Entre os principais riscos, Subir Lall destacou o endividamento que continua bastante elevado, seja em termos externos ou internamente ao nível do Estado ou das empresas. Este é um dos pontos focados pelo comunicado divulgado hoje pelo FMI sobre a conclusão da missão ao abrigo do artigo IV onde a dívida das empresas é apresentada como um dos principais travões ao investimento e a reestruturação da economia.



"Estamos ainda numa área de excesso de endividamento", avisa Lall. A par do excesso de desemprego - oficial ou as pessoas que saíram do mercado (que o FMI denomina slack) - é um forte entrave ao crescimento potencial da economia. E o caminho a percorrer e longo: "O grande desafio é recuperar o PIB que está ainda ao nível de 2002 e, a saída para isso, é aumentar o PIB potencial".



A solução, refere o chefe de missão do FMI, são reformas estruturais no mercado de produto com mais concorrência e também no mercado de trabalho. Este é aliás um ponto onde o FMI - e também a Comissão Europeia - tem insistido e que tem levado a algumas críticas ao governo por ter perdido o ímpeto reformista.