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Salgado sobre o negócio dos submarinos: "Não foram pagas comissões a nível político"

Ex-presidente do BES considera ainda que foi um erro o facto de o Grupo Espírito Santo ter entrado na operação dos submarinos. 

Anabela Campos e Isabel Vicente

Ricardo Salgado mostrou esta terça-feira, na comissão de inquérito ao BES, arrependimento pelo envolvimento do Grupo Espírito Santo (GES) nos negócios da Defesa e salientou que "não foram pagas comissões dos submarinos a nível político". "Foi um excesso de linguagem dizer que estava rodeado de aldrabões", acrescentou.

A ESCOM, empresa onde o GES tinha uma participação acionista, foi a empresa que assessorou a compra dos submarinos pelo Estado português, em 2004, quando Paulo Portas era ministro da Defesa.

"Foi um dos erros de julgamento do GES entrar nessa operação [compra de submarinos]. Imediatamente a seguir, optámos por não entrar em mais nenhuma operação", por ter tido um efeito reputacional "terrível" para o grupo, disse Ricardo Salgado em resposta à deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua.

Já da parte da tarde, em resposta ao deputado do PS Pedro Nuno Santos, o banqueiro enfatiza que teve "uma garantia da Escom que não foram pagas a ninguém comissões na área política". E acrescenta que este assunto foi objeto de investigação por parte do Ministério Público e do Banco de Portugal e ambos concluíram que a quantia paga aos membros do conselho superior do GES, por causa do negócio dos submarinos, é superior a cinco milhões de euros, como se lê numa ata que está na posse do Ministério Público.

 

Salgado admite que nas gravações do Conselho Superior do GES, que ele desconhecia existir, teve "um excesso de linguagem" ao dizer que estava "rodeado de aldrabões", referindo-se a quem eventualmente tivesse recebido luvas. Mas não fala em nomes. O ex-presidente do BES sublinhou que estas reuniões eram informais, daí o excesso de linguagem.