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Salgado. "Nunca fui, nunca pensei ser o dono disto tudo. Foi uma designação para me prejudicar"

FOTO JOSÉ CARIA

"Venho explicar-me e dar a minha visão dos acontecimentos. A minha defesa será feita nos tribunais." Garantia de Salgado durante a comissão parlamentar de inquérito ao caso BES.

Anabela Campos e Isabel Vicente [com Liliana Coelho]

Primeiro, Mariana Mortágua dirigiu-se a Ricardo Salgado: "O dono disto tudo parece aqui como a vítima disto tudo", afirmou a deputada do BE durante a comissão parlamentar de inquérito ao caso BES.

Veio então a resposta de Salgado: "Essa designação do dono disto tudo (DDT) é irrisória, como é a dos mais poderosos. O dono disto tudo é o povo português. Nunca fui, nunca pensei ser dono disto tudo. Sou um homem trabalhador". E prosseguiu: "Foi uma designação que me foi colada para me prejudicar no futuro".

"Quanto à pergunta 'quando é que o dono disto tudo passa a responsábel disto tudo?', não me venho colocar no papel de vitíma", acrescentou Salgado. "Não vim cá procurar colocar-me em posição de vítima, vim com a objetividade possível explicar a minha visão dos acontecimentos. A minha defesa será feita pela via jurídica, nos tribunais", referiu o ex-banqueiro.

Além da troca de palavras e designações, houve espaço para elogios - de Salgado para a deputada. "Estuda bem os assuntos a senhora deputada", disse o ex-presidente do BES a dada altura.

Antes, Ricardo Salgado voltou a negar a ocultação do passivo do grupo. "Não dei instruções para ocultação do passivo e as pessoas que se referem a isso - havia referência de alguns membros do Conselho Superior - poderão fazê-lo. Cada um deve responsabilizar-se pelo que diz", defendeu. Na sua opinião "o passivo agravou-se por causa da crise".

Salgado sublinhou também que o seu objetivo é defender a "honra e a dignidade da família", devendo esperar que o primo Ricciardi siga a mesma linha, embora cada um "seja livre de ter as opiniões que quiser". 

O ex-líder do BES voltou ainda a garantir perante os deputados que procurou sempre defender os interesses dos clientes do banco. "Acredito que defendi sempre os interesses dos clientes, dentro de uma envolvente política, económica e financeira extremamente complexa. Nunca passei por uma crise desta dimensão."