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Salgado garantiu empréstimos à Venezuela às escondidas

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FOTO Alberto Frias

Auditoria forense confirma cartas à Venezuela que aumentaram exposição do BES ao GES. 

Pedro Santos Guerreiro e Filipe Santos Costa

A auditoria forense realizada ao BES confirma ter encontrado duas cartas-conforto assinadas por dois administrados do BES em que se garantia a cobertura a papel comercial do GES. Na prática, estas cartas - que foram assinadas às escondidas do Banco de Portugal e mesmo do Conselho de Administração do BES - aumentaram a exposição do BES ao GES.

A auditoria forense ao BES confirma assim notícias dadas em primeira mão pelo Expresso em julho de 2014, quando foram reveladas duas cartas em que, ao contrário do que aconteceu com outros subscritores de papel comercial do GES, dois administradores assumiram garantias. Estas garantias foram consideradas como risco BES, pelo que agravaram os resultados semestrais de 2014, precipitando a intervenção no BES.

"Foram identificadas duas cartas datadas de 9-6-2014 e dirigidas ao Banco de Desarollo Economico y Social Veneuela e ao Fondo Desarollo Nacional Fonden relacionados com títulos de dívida emitidos pela ES International no montante de 365.000 milhares de dólares dos Estados Unidos (cartas assinadas por dois administradores do BES, contendo o seguinte texto", escreve a auditoria forense ao BES: "Durante os próximos meses é intenção da Rio Forte Investments SA  proceder à emissão de dívida que substituirá a dívida da ES International SA. Tendo em conta este facto, o Banco Espírito Santo SA, nas datas de vencimento indicadas, i) colocará os títulos em mercado secundário; ou ii) assegurará a liquidez necessária de forma a permitir o reembolso necessário". 

Tais factos constituem potencial desobediência ao Banco de Portugal mas também "potencial prática de atos dolosos de gestão ruinosa", escreve a auditoria forense.

São revelações confirmadas na auditoria forense ao Banco Espírito Santo, que acaba de ser entregue aos deputados da Assembleia da República, e que era aguardada com expectativa. A auditoria forense, recorde-se pode ser usada para apuramento de indícios potencialmente criminais, caso a Procuradoria Geral da República o entenda.

Esta é uma das conclusões retiradas na auditoria forense ao Banco Espírito Santo, a que o Expresso teve entretanto acesso, depois das primeiras notícias sobre o documento terem sido relevadas pelo Negócios.

A auditoria forense ao BES em causa foi encomendada pelo Banco de Portugal com o objetivo de "analisar a existência de evidência de prática de atos por parte do BES e/ou da ESFG que possam ser considerados contrários à estratégia definida pelos supervisor nessas determinações, no sentido de assegurar a redução substancial e efetiva dos riscos decorrentes da exposição direta e indireta a entidades do ramo não financeira do Grupo Espírito Santo".

A auditoria foi realizada pela Deloitte mas o relatório entregue pelo Banco de Portugal na Comissão Parlamentar de Inquérito inclui também um anexo realizado pela sociedade de advogados Rebelo de Sousa & Associados com "uma análise do potencial enquadramento jurídico das situações identificadas".