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Salgado e Abecassis "não sabiam de tudo, nem eu sabia", diz Sobrinho, mas podiam perguntar

António Cotrim Lusa

Ricardo Abecassis, como chairman do BESA, se tinha dúvidas podia ter perguntado, diz Álvaro Sobrinho. Ouvido no Parlamento, o ex-presidente do BESA garante que não veio vitimizar-se e que se pudesse voltava atrás em algumas decisões tomadas.

Anabela Campos e Isabel Vicente

"Ricardo Salgado  e Ricardo Abecassis não sabiam de tudo, nem eu sabia. Sabiam o que era essencial em termos de governance e estratégia do banco", disse ao deputados Álvaro Sobrinho. E acrescentou, se Abecassis tivesses dúvidas enquanto presidente do conselho de administração podia perguntar.

O gestor sublinha que não veio à comissão vitimizar-se, e assume que teve responsabilidade na gestão do BESA. "Se pudesse voltar atrás em alguns actos de gestão voltava", diz.

 Álvaro Sobrinho reconhece que identificou problemas no BESA. "Havia coisas que tinha de corrigir, mas isso não significa um buraco, eram desiquílbrios de liquidez, não de rácios", sublinhou. Aliás, afirmou, "nem percebo o que se quer dizer com buraco. A minha formação é matemática, apresentem-me números". 

"Não queria falar, mas obrigam-me a dizer uma coisa, quando saí do BESA havia uma carteira de crédito de 6,7 mil milhões de euros, passado um ano e meio, em junho de 2014, a carteira de crédito tinha crescido para 9,2 mil milhões de dólares", diz Sobrinho. "Fui por acaso eu que ainda a dizer que ia investir 500 milhões de dólares num hospital em Angola?", atirou, referindo-se a um investimento anunciado por Ricardo Salgado, numa viagem a Angola.

O "BES não foi uma torneira para o BESA", frisou ainda.

O gestor angolano assegura ainda que não apoiou José Maria Ricciardi na luta pela liderança do BES, mas assegura que este também não solicitou o seu apoio.