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Salgado confessa-se surpreendido com Carlos Costa. "Para eu sair, bastava que ele tivesse feito um sinal"

FOTO JOSÉ CARIA

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, assegurou no Parlamento que ficou "surpreendido" com as declarações do governador do Banco de Portugal de que tinham tido um braço de ferro por causa da sua idoneidade. "Sempre acolhi os conselhos do sr. governador."

Anabela Campos e Isabel Vicente

"Nunca o sr. governador me disse que queria retirar-me a idoneidade. Bastava que tivesse feito um sinal para eu sair do BES", disse Ricardo Salgado em resposta aos deputados na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES.

Ricardo Salgado insiste na ideia de que nunca tinha sido posta em causa a sua idoneidade pelo Banco de Portugal, embora admita que tenha havido episódios em que foram levantadas questões. "O sr. governador nunca me disse taxativamente que eu deveria sair da administração do BES. Disse a 19 de junho que todas as pessoas da família, todas, teriam de sair da administração do BES", afirmou em resposta à deputada do CDS Cecília Meireles. 

"Sempre acolhi os conselhos do sr. governador", diz o ex-presidente do BES. E lembra que foi ao Banco de Portugal com Daniel Proença de Carvalho, em meados de junho, com uma solução de governação para o banco, onde a família ficaria representada num conselho estratégico. Ricardo Salgado seria o presidente, mas a reestruturação nunca chegou a avançar. "O governador nunca me disse que eu não podia ser o presidente do conselho estratégico", diz o ex-presidente do BES.

"Eu não estava agarrado ao lugar, tinha 70 anos", acrescenta. 

A 17 de novembro, no primeiro dia de trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, o governador do Banco de Portugal lamentou não ter tido mais poderes para afastar Ricardo Salgado da liderança do Banco Espírito Santo. "Se pudesse, tirava a idoneidade a Ricardo Salgado. Mas não tinha poderes", afirmou na altura Carlos Costa.

A propósito de uma carta entre o Banco de Portugal e Ricardo Salgado, de 31 de março, o ex-banqueiro afirma: "Não tenho por sistema mentir. Nunca menti, nunca disse nada que pudesse ser mal interpretado. Se o Banco de Portugal tivesse querido que eu saísse era muito fácil".   

Ricardo Salgado disse também que então só via duas soluções para o sucederem: o administrador financeiro, Amilcar Morais Pires, ou o administrador Joaquim Goes. Amilcar Morais Pires foi aliás o nome que Ricardo Salgado propôs ao Banco de Portugal para o substituir. Mas não foi esta a solução, o governador optou por nomear Vítor Bento para liderar o BES.