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Sabia que a rolha de cortiça ajuda a vender os melhores vinhos?

A indústria portuguesa de cortiça escolheu os EUAcomo um dos mercados alvo para a sua campanha de promoção internacional

Alexandre Bordalo

Engarrafado com rolha de cortiça, o vinho é mais caro e vende mais, indica um estudo da AC Nielsen para o mercado americano.

A rolha de cortiça está a impor a sua lei no mundo dos vinhos. A análise da evolução de vendas do Top 100 de macas premium nos Estados Unidos desde 2010 mostra um crescimento de 30% na quota de mercado dos vinhos engarrafados com rolha de cortiça, contra uma percentagem de 9% nos vinhos que usam vedantes alternativos.

O estudo da AC Nielsen no maior mercado de vinhos do mundo evidencia, também, o papel da rolha de cortiça na valorização do produto: o preço médio dos vinhos com rolha de cortiça foi de 12,99 euros, mais 46% ou 4,09 euros que o dos vinhos vedados com vedantes alternativos.

São boas notícias para a indústria portuguesa de cortiça que escolheu os Estados Unidos como um dos mercados alvo para a sua campanha de promoção internacional e está a investir no país dois milhões de euros até 2015.

"As análises de mercado já indicavam esta tendência, mas este estudo vem, agora, estabelecer um valor concreto, quantificar o valor desta preferência do consumidor numa percentagem histórica (46%). E estamos a falar no maior mercado de vinho do mundo, com um potencial de crescimento de consumo significativo e um papel determinante na formação de mercados exportadores de vinhos", salienta Carlos de Jesus, diretor de comunicação da Corticeira Amorim.

Exportações a crescer

Apesar de França ainda ser o maior mercado da indústria portuguesa de cortiça, os EUA já são, desde 2012, o principal cliente internacional da Corticeira Amorim, que investiu no ano passado 3,8 milhões de euros numa nova unidade de acabamentos e distribuição de rolhas da Amorim Cork America, na Califórnia, e tem visto as vendas de rolhas no país crescerem a dois dígitos por ano, apesar de manter em França o  principal cliente do seu negócio de rolhas.

Este estudo poderá ter, aliás, implicações diretas na forma como as decisões de compra de vedantes são feitas, sublinha Carlos de Jesus, salientando que entre os países que mais exportam vinho para os Estados Unidos estão mercados europeus já "habituados a incorporar a rolha de cortiça na criação de valor", como a França, Espanha, Itália ou, até, Portugal.

No primeiro semestre, as exportações portuguesas de cortiça cresceram 0,66% face a período homólogo, para atingirem os 530 milhões de euros. Em 2013, as exportações do sector somaram 835,1 milhões de euros.