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Rublo valoriza 12% e bolsa de Moscovo ganha 14%

Depois de uma terça-feira negra para a moeda russa e para o índice bolsista como primeira reação à subida das taxas diretoras de juros pelo Banco Central da Rússia, a corrida ao rublo foi contida esta quarta-feira.

O rublo valorizou esta quarta-feira cerca de 12% face ao euro até às 17h e o índice geral da Bolsa de Moscovo ganhou 14%.

Depois de uma "terça-feira negra" (16 de dezembro) com o rublo a atingir novo mínimo histórico face ao euro, chegando a moeda única a valer 97 rublos pelo meio-dia de 16 dezembro, e o RTSI, o índice geral bolsista, a acumular 22,5% de perdas em dois dias consecutivos, o temporal levantou.

O euro fechou na terça-feira a valer 85,57 rublos e registava pelas 17h desta quarta-feira 75,63 rublos. O efeito negativo imediato da decisão do Banco Central da Rússia de subir a taxa diretora de juros de 10,5% para 17% na madrugada de 16 de dezembro, foi esta quarta-feira amenizado.

A sincronia verificada entre o comportamento do rublo e do preço do barril de petróleo tem sido sublinhada. O preço do barril de Brent subiu para 62,30 dólares pelas 17h, uma valorização de 3,8% em relação ao fecho de terça-feira.

 

Não há risco de bancarrota

O custo de segurar a dívida russa - através dos instrumentos financeiros conhecidos como credit default swaps (CDS, no acrónimo em inglês)- desceu esta quarta-feira 15%, para o nível de 488 pontos base, segundo dados da Markit, ainda muito acima dos 364 pontos base registados no início do mês.

Na "terça-feira negra", o preço dos CDS fechou em 574 pontos base, o que, mesmo assim, era quase metade do custo para os CDS sobre a dívida grega.

O custo actual dos CDS para a Rússia equivale a uma probabilidade de entrada em incumprimento da dívida soberana de 30%, enquanto no caso da Grécia esse risco sobe para perto de 69%. Não há, por isso, um risco de bancarrota como ocorreu em agosto de 1998, quando de gerou uma crise tripla: de dívida soberana, bancária e cambial.

 

Pacote de medidas do Banco Central

O dia foi marcado por duas notícias que acalmaram os investidores russos. O Ministério das Finanças comunicou que iniciou operações de venda de reservas de divisas estrangeiras de que dispõe, sem detalhar o tipo de ativos e o volume envolvido, no sentido de subir a valorização do rublo. O total de reservas de que dispõe é avaliado entre 4 mil milhões de dólares e 7 mil milhões (Reuters), considerado uma gota no oceano pelos analistas. O Ministério retira 10% das contribuições anuais para o Fundo de Pensões, realizando aplicações.

Encarada como mais importante foi a divulgação pelo Banco Central da Rússia de um pacote com três ordens de medidas: a flexibilização das exigências contabilísticas de aprovisionamento de perdas para os bancos sobretudo relacionadas com perdas que tenham a ver com as sanções impostas à Rússia; a ampliação das provisões de fundos em moeda estrangeira para bancos e empresas (face ao fecho do financiamento no exterior), admitindo a realização de leilões adicionais que aumentem a oferta de liquidez; e a recapitalização dos bancos em 2015 em coordenação com o governo.

O primeiro-ministro Dmitry Medvedev ordenou que o seu vice-primeiro-ministro Igor Shuvalov monitorize diariamente os fluxos em divisas.

 

Corrida ao rublo contida

"Neste momento, a corrida ao rublo foi contida, ainda que não tenha terminado", diz-nos o economista russo Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College em Dublin.

"Estamos perante duas forças que puxam o rublo para uma posição mais forte", sublinha.

A primeira diz respeito à obtenção de lucros por parte de alguns investidores financeiros especulativos, na sequência dos avisos do Banco Central da Rússia.

A outra tem a ver com uma resposta das empresas russas aos esforços do Governo e do banco central para que seja reduzida a procura de moeda estrangeira e com as intervenções mais agressivas do banco central no mercado cambial.

 

Problemas gémeos

No entanto, Gurdgiev alerta: "o risco de pressões renovadas sobre o rublo continua bem real e tangível, a crise não acabou, ainda". Esse risco deriva de duas linhas de "problemas gémeos". "A fraqueza de alguns elementos fundamentais, como os preços do petróleo baixos e a falta de acesso aos mercados de financiamento internacionais, e o peso da fuga de capitais e da queda das reservas cambiais", refere o economista.

A fuga de capitais deverá atingir os 134 mil milhões de dólares no final de 2014 e poderá ainda registar 120 mil milhões em 2015, segundo as previsões do banco central. As amortizações da dívida que chega à maturidade somam 101 mil milhões em 2015. A inflação poderá subir para mais de 10% e a economia russa corre o risco de estagnar em 2015 e 2016. Se o preço do barril se mantiver abaixo dos 60 dólares em 2015, a economia russa pode contrair entre 4,5% e 4,7%, avisou o banco central esta semana.