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RTP quer "fazer diferente quando não puder fazer melhor"

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Presidente da empresa reitera objetivo de tornar a RTP "relevante" mesmo sem conteúdos orientados para a perspetiva comercial. E garante que "não há razão para estar preocupado" com análise da ERC às nomeações para as direções de informação e programas da estação 

O presidente da RTP, Gonçalo Reis, voltou esta tarde a defender a sua convicção de que a RTP vai conseguir conciliar o equilíbrio financeiro com a capacidade de "ganhar relevância" junto dos consumidores com "uma programação de qualidade e referência".  

"Quando não puder fazer melhor, a RTP deve fazer diferente. E quando não puder fazer diferente, deve fazer melhor", sintetizou durante um almoço organizado pelo IDL - Instituto Amaro da Costa. "Quanto mais esse posicionamento for assumido e vincado, mais isso favorece a RTP", argumentou Gonçalo Reis. 

"Ser diferenciador e ter qualidade é compatível com ser relevante e ter impacto junto do público", prosseguiu, defendendo que não subscreve "o mito" de que programação menos comercial afastará audiências. Até porque, diz, se a RTP assume o desafio de ter "ganhos de audiência", o presidente da empresa também garante que  a estação "não deve ser escrava das audiências", disse, convicto de que a estação pública vive hoje uma fase que permite gerir a área dos conteúdos sem a pressão comercial do passado. 

"A RTP tem de continuar a ter ganhos de eficiência. Mas, no contexto europeu, o custo atual da RTP é agora mais aceitável", defendeu, recordando que a empresa passou a viver sem indemnização compensatória do Estado e que o que recebe através da Contribuição Audiovisual - cerca de €165 milhões - cobre "cerca de 80% dos custos" anuais da empresa.  

Sobre o futuro imediato, nomeadamente no que respeita às nomeações dos novos diretores de informação e de programas da RTP, Gonçalo Reis recusou comentar as notícias sobre as alegadas reservas que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) estará a levantar ao nome de Daniel Deusdado, indigitado para assumir a pasta dos programas na estação pública. 

"O processo está a seguir os seus trâmites habituais e o Conselho de Administração já foi ouvido pela ERC. O que nos interessa é que as pessoas que escolhemos são pessoas de qualidade. Quanto mais rápido for o processo, melhor. Mas temos de respeitar os trâmites da ERC. O tempo do regulador não é o mesmo da empresa", sintetizou à margem do almoço.  

"Temos uma abertura total para a partilha de informações e não temos razão nenhuma para estarmos preocupados", concluiu, garantindo não ter recebido qualquer informação da ERC sobre eventuais prorrogações dos timings para a decisão do regulador sobre os nomes propostos para as direções do operador público.