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Risco grego, português e espanhol dispara

O risco grego de bancarrota situou-se hoje acima dos 30% e o português aproximou-se dos 15%. Espanha também sofre contágio.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

O risco de bancarrota dos três países do "club Méd" disparou hoje de novo.

Apesar do êxito das operações de colocação de bilhetes de tesouro por parte da Agência grega de gestão da dívida, ontem, e de obrigações do Tesouro, hoje, por parte do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público português, o risco de incumprimento (default) da dívida soberana grega subiu para os 30,74% e no caso português para 14,65.

Também a Espanha está a assistir ao mesmo tipo de alta do risco de default, que se aproxima dos 12%.

O preço dos credit default swaps (cds), que são contratos de seguro sobre a dívida soberana (uma espécie de instrumento financeiro que dá uma ideia da confiança ou desconfiança que se coloca no cumprimento das obrigações de dívida por parte de um país), passou de 380,5 pontos base (pb) no caso grego, no fecho de ontem, para 432,28 pb. Um aumento de 13,6%.

A Grécia ultrapassou, hoje, o seu máximo histórico de 4 de Fevereiro no preço dos cds. O que significa que a situação é mais grave do que então, apesar da existência do mecanismo de empréstimos preparado por Bruxelas, mas que aguarda pela próxima sexta-feira para aprovação oficial pela reunião do ECOFIN em Madrid.

No caso português, a subida foi de quase 16%, com o preço dos cds a passar de 154,8 pb para 179,22. E em relação a Espanha, o salto foi mais pequeno, passando de 129,8 pb para 140,94 pb.

Como termo de comparação, tenha-se em conta que o preço dos cds para o caso alemão era, apenas, de 32,57 pb e que o risco de default era só de 2,86%. O que significa que os gregos têm um adicional de quase 400 pontos em relação à Alemanha, referencial para a zona euro, e que os portugueses têm um diferencial de mais de 122 pontos.

Como cada 100 pontos base corresponde a 1%, isso significa que os gregos quando vão ao mercado financeiro tentar financiar-se correm o risco de ter de pagar mais 4 pontos percentuais do que os alemães e os portugueses mais um ponto percentual.

Segundo a CMA DataVision, que fornece estes dados do mercado dos cds e do risco de bancarrota, os aumentos no caso da Grécia e de Portugal foram os maiores de hoje. Com Portugal a liderar.

Quatro bancos da Península estiveram hoje em foco pela negativa no mercado dos cds: Banco Espírito Santo, Banco Popular Español, Banco de Sabadell e BCP.  O Sabadell foi o que teve a pior deterioração no risco de crédito.