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Risco de Grécia e Portugal continua a agravar-se

Risco de bancarrota de Portugal subiu para mais de 20%, estando à beira de ultrapassar o da Letónia. Grécia subiu mais um degrau no clube de maior risco do mundo. Passou ao 3.º lugar, ultrapassando o Paquistão.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Os mercados da dívida continuam a não dar descanso hoje à Grécia e a Portugal. Atenas acaba de ver a sua situação agravar-se ainda mais com o seu risco de default (incumprimento da dívida soberana) a subir para o 3º lugar no clube dos 10 de maior risco mundial. A Grécia acaba de ultrapassar o Paquistão e aproxima-se dos dois campeões mundiais, a Argentina e a Venezuela.

Também Lisboa continua a estar no corredor vermelho. O risco de default subiu para mais de 20% (ver gráfico) e o país aproxima-se do risco da Letónia, podendo ainda hoje vir a ultrapassar este país no clube dos 10 de maior risco. Portugal encontra-se em 10º lugar desde ontem, mas a continuar a escalada poderá subir para o 9º lugar. O nível de preço dos credit default swaps (cds) já duplicou em relação a Janeiro (ver gráfico). Ao meio-dia, dois bancos portugueses estavam com níveis de risco mais elavados do que o da dívida soberana - eram o caso do preço dos cds relativos ao BES com 306,88 pontos base (pb) e do BCP com 297,27 pb, segundo dados da CMA Datavision.

Vulnerabilidades portuguesas



O grau de incerteza sobre a capacidade do país em cumprir com as suas obrigações agravou-se a partir do momento em que o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou um conjunto de indicadores de "vulnerabilidade" que aproximam Portugal do perfil grego, como são os casos da dívida pública em mãos estrangeiras (60% do PIB contra 99% no caso grego), o peso no PIB da exposição de bancos internacionais ao sector público português (23% contra 32% no caso grego), ou o saldo negativo da balança corrente em relação ao PIB (9% contra 9,7% no caso grego).

Hoje o economista Daniel Gros, director do Center for European Policy Studies, em Bruxelas, complementa no blogue VOX a análise de "vulnerabilidades" feita pelo FMI com outros indicadores, que o conduzem a concluir que Portugal e Grécia sofrem de um problema real de solvência, enquanto que a Espanha e a Irlanda andam em bolandas com um problema de liquidez.

Gros refere o facto de Portugal ter uma dívida externa total (pública e privada) em relação ao PIB mais elevada (226%) do que a Grécia, Espanha e Itália, mas, no entanto, bem inferior ao caso da Irlanda (1050%). Também a dívida externa líquida é mais elevada que no caso da Grécia, Espanha e Itália.

No entanto, a capacidade de dar a volta à situação em virtude do que tecnicamente se designa por "efeito da bola de neve", é incomparavelmente mais dificil na Grécia e na Irlanda do que em Portugal, refere o economista. O artigo faz, ainda, uma apreciação política em que considera "impraticáveis" os ajustamentos orçamentais necessários nos casos da Grécia, Irlanda e Espanha, comparando com Portugal e Itália.

Formação em voo



Esta alta de risco que está a soprar forte sobre a Grécia e Portugal estende-se ao conjunto dos outros países alcunhados humoristicamente de PIIGS.

A formação em voo dos cinco países (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) continua a manifestar-se, ainda que em níveis diferentes. Os cinco países lideram hoje, com a Grécia e a Irlanda à cabeça, as maiores subidas do dia, segundo a CMA Datavision.