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Ricciardi responsabiliza acionistas pelo desfecho do BES

Ricciardi alega que os principais responsáveis pelo desfecho do BES foram os  acionistas que não quiseram em "tempo oportuno alterar a governance do grupo" a tempo de não acontecer esta situação.

Ao contrário de Salgado, que só criticou o primo no fim da audição, José Maria Ricciardi não parou de atacar o antigo líder do BES - começou logo na sua intervenção inicial na comissão de inquérito parlamentar ao GES e ao BES.

"Eu preocupava-me com o excessivo endividamento que já existia no grupo desde há bastante tempo. Na minha opinião, um dos problemas é que a liderança do grupo, em vez de resolver os problemas, dissimulava-os - ia-os empurrando uma bola de neve", declarou o presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI).

Para José Maria Ricciardi, na gestão das empresas há que enfrentar o problema com "transparência e seriedade" desde  a sua génese, lamentando o facto de isso não ter acontecido com o BES.



"Tudo assim podia ter-se passado de forma diferente e o BES estaria hoje intacto. Eu já sabia que os passivos do grupo eram elevados, mas não fazia ideia de que havia um bilião que não estava inscrito nas contas da ESI e uma uma subida astronómica desse passivo entre 1 janeiro de 2013 e 9 de setembro de 2013", afirmou.

O líder do BESI defendeu ainda que os principais responsáveis pelo desfecho do BES foram os acionistas do grupo Espírito Santo que não aceitaram a sua proposta. "Os principais responsáveis não foram nem o Governo, nem o Banco de Portugal, mas os acionistas que não quiseram em tempo oportuno, conforme a minha proposta, alterar a governance do grupo a tempo de não acontecer esta situação", acusou.

Com essa solução, diz Ricciardi, o banco iria provavelmente insolver e os credores perderiam dinheiro, mas o BES ainda existiria hoje: "Tenho a certeza que o BES agora existiria se tivesse sido dado um tratamento diferente".