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Ricciardi. "Não pretendia que Salgado saísse a mal. Queria uma solução civilizada"

FOTO JOSÉ VENTURA

José Maria Ricciardi, ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, sustentou que a sua ideia de gestão era incompativel com a de Salgado. E argumenta que era vital o BES ter pedido a ajuda do Estado quando a crise internacional se agravou em 2008.

"Quando soube o que se passava [no grupo], agi com os meus deveres de diligência", garantiu José Maria Ricciardi aos deputados, explicando que teve informações na altura que davam conta de um grande passivo na Espírito Santo International, mas não falsificação de contas.

De acordo com o líder do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), a gestão do banco considerava que se podia adiar a resolução dos problemas. "A ideia era andar para a frente. 'Para o ano resolve-se', em vez de enfrentar os problemas", frisou.

Apesar de ter defendido a saída de Ricardo Salgado da liderança, Ricciardi assegura: "Não pretendia que saísse a mal. Queria uma solução civilizada", declarou.

Garantindo que a sua ideia de gestão era incompativel com a gestão que se passava no BES, José Maria Riiciardi lamenta que Salgado tomasse todas as decisões no grupo de forma "centralizada" e "unilateral" e que deram o "mau" resultado que todos conhecemos. 

"No BESI, onde sou presidente há 10 anos, nunca houve ativos tóxicos. Porque sempre fiz com a minha equipa uma gestão rigorosa e  transparente, mas com outras empresas isso não aconteceu. E iam progressivamente agravando a sua situação", apontou.

Para Ricciardi, era vital o BES ter pedido a ajuda do Estado quando a crise internacional se agravou em 2008, o que teria evitado também o fim do BES. "Se se tivesse capitalizado o banco, hoje ele existiria e tinha-se conseguido atacar os problemas acima do BES", defendeu.

E acrescenta: "Se calhar não tínhamos o aumento de capital que tivemos, não nos tínhamos endividado, mas o Estado tinha-nos capitalizado".