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Ricciardi não acredita que Salgado quissesse sair do BES. Com ou sem sinal do BdP

"Não acredito. Da parte do doutor Ricardo Salgado nunca detetei a mínima disponibilidade para qualquer alteração na governance nem para a sua substituição. Se a teve, não notei", declarou José Maria Ricciardi no parlamento.

José Maria Ricciardi disse esta noite, na comissão de inquérito parlamentar de inquérito ao caso BES, duvidar da disponibilidade manifestada esta tarde por Ricardo Salgado para abandonar a liderança do banco se o Banco de Portugal tivesse feito um pedido nesse sentido. 

"Não acredito. Da parte do doutor Ricardo Salgado nunca detetei a mínima disponibilidade para qualquer alteração na governance nem para a sua substituição. Se a teve, não notei", declarou Ricciardi no parlamento.

O líder o Banco Espírito Santo Investimento (BESI) respondia a uma questão da deputado do BE Mariana Mortágua, tendo o social-democrata Duarte Marques insistido na mesma pergunta. 

Ricciardi acrescentou apenas: "Estou a transmitir aquilo que entendo que é a verdade. Eu vivo mal com as mentiras. Não sou eu que vou fazer julgamentos. Estou a tentar dar-vos a minha versão dos factos, mas não estou a julgar". E insiste: "cabe aos deputados, julgar do ponto de vista político, ao Banco de Portugal e à CMVM do ponto de vista regulatório, ao Ministério Público do ponto de vista criminal". 

Durante a tarde, Salgado assegurou que se o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerasse que não tinha idoneidade para continuar a liderar o BES devia ter-lhe transmitido isso. Segundo o ex-presidente do BES, nunca lhe pediram "taxativamente" para sair. "Nunca o senhor governador me disse que queria retirar-me a idoneidade. Para eu sair, bastava que Carlos Costa tivesse feito um sinal. Eu saía na hora", garantiu.

Salgado explicou apenas que foi informado na altura que "a 19 de junho todas as pessoas da família, todas, teriam de sair da administração do BES",

O Expresso revelou esta terça-feira uma carta com a data de 7 abril, onde o governador do Banco de Portugal solicita uma transição na liderança do BES.

Sobre as alterações do modelo de governance, Carlos Costa escreve em resposta a Salgado que "as alterações estatutárias acima referidas constituem uma base sólida para uma transição ordenada na liderança do BES, em conformidade com as preocupações manifestadas por V.Exa. aquando da nossa reunião de 31 de março último, e criam condições necessárias para restaurar plenamente a confiança na instituição."

A saída de Ricardo Salgado deveria ocorreu numa assembleia-geral prevista para dia 5 de maio, o que não acabou por verificar-se.