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Ricciardi. "Denunciei as situações duvidosas com que fui confrontado"

Presidente do BESI deixa aviso no Parlamento": "Não aceito que se proceda a um julgamento coletivo de natureza sanguínea". Está disponível para colaborar. Agora, é "preciso separar o trigo do joio."

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Depois da audição a Ricardo Salgado, que demorou mais de dez horas, segue-se a ronda de perguntas a José Maria Ricciardi. Na declaração de intenções à comissão de inquérito ao BES e GES, antes de iniciar os esclarecimentos aos deputados, Ricciardi disse claramente: "Não aceito que se proceda a um julgamento coletivo de natureza sanguínea", porque a "cada um caberá assumir as consequências do seus atos". Está "livre para colaborar" e ajudar a "separar as águas" e a distinguir "o trigo do joio". Que a "responsabibilidade de cada um seja devidamente escrutinada". 

"Nada tenho a esconder", assegurou o presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), salientando ter "plena consciência de ter denunciado as situações duvidosas com que fui confrontado".

"Logo que me apercebi de irregularidades das contas requeri um inquérito urgente", revelou. O afastamento dos órgãos sociais processou-se de forma voluntária. Foi realizada comunicação à entidade reguladora do "desvio inaceitável que visava esconder dívidas e prejuízos".

A reformulação dos órgãos sociais, em junho de 2014, não foi mais do que "uma simples manobra, a pretexto da mudança, para deixar tudo na mesma".

Perante os deputados, Ricciardi fez questão de abordar o seu percurso profissional - uma carreira de "35 anos" -, demonstrando que "subiu a pulso", atravessando "todas as hirerarquias", mas sem "nenhum favorecimento pessoal".  "Tenho provas dadas e capacidades adquiridas".

Segundo Ricciardi, em fevereiro de 2012 manifestou "indisponibilidade" para exercer o mandato do BES, "caso se mantivesse o modelo de gestão". Esteve "duas vezes em risco de ser afastado - em novembro de 2013 e junho de 2014", adiantou também. 

A intervenção no Conselho Superior do grupo aconteceu "só em 2011". Ao BESI, referiu-se como uma "instituição sólida e lucrativa há mais de dez anos". Termina com a comparação: "No BESI não houve fundo de resolução mas equilíbrio de contas; não houve falsificação mas transparência, não houve desgoverno mas desenvolvimento sustentado".