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Ricciardi. Culpa pelo desfecho do BES não é do Governo nem do BdP - é dos acionistas

FOTO JOSÉ VENTURA

"Propus mudar o modelo de governação do BES numa reunião do conselho superior, mas os acionistas não aceitaram." 

Anabela Campos e Isabel Vicente

"Os acionistas do grupo é que foram responsáveis pelo que aconteceu no BES, não foi o Banco de Portugal nem o Governo. O BES ainda existiria agora se não fosse isso", afirmou Ricciardi na comissão de inquérito ao caso BES. E defende que quando se começou a falar de crise financeira, em 2008, o BES devia ter solicitado o apoio ao Estado, através do fundo de capitalização.

"Propus mudar o modelo de governação do BES numa reunião do conselho superior, mas os acionistas não aceitaram", explicou. Ricciardi acabou por abandonar  essa reunião, onde tinham assento os cincos principais acionistas, entre eles Ricardo Salgado e o francês Crédit Agricole. Foi uma reunião a 7 de novembro. "Nunca detetei a mínima vontade por parte de Ricardo Salagdo para mudar o modelo de governação do GES", diz.

"Se se tivesse explicado a verdade aos acionistas", isto não tinha acontecido, admite o presidente do BESI, filho de um dos maiores acionistas do GES, António Ricciardi.

Ricciardi afirma ainda que as medidas entretanto tomadas, ou seja, a reestruturação do GES anunciada por Ricardo Salgado no início de 2014,"não serviam para nada". E explica que a configuração das holdings do grupo, detido em cascata, com a Espírito Santo International (ESI) no topo, não isolaram o BES do risco.

A dívida e os problemas, explicou então, passaram da ESI para a ESFG, desta para a Rioforte, acabando por contagiar o BES, explicou Riciciardi. Ou seja, a dívida da ESI acabou por descapitalizar as empresas e afetar o BES, sublinhou. 

Ricciardi conta que só entrou para a administração da ESI em novembro de 2011. Até lá, defende, não sabia nada sobre as contas desta holding. "Só sabia que havia um passivo importante e estava preocupado com isso. Mas não fazia a mínima ideia de que as contas não correspondiam à verdade."

Ricciardi referiu-se à Eurofin como a "caixa negra" por se desconhecer quais a as relações entre esta, o GES e o BES. "Ainda hoje ninguém sabe o que é a Eurofin e quais as suas relações com o BES", sublinhou.