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Ricciardi acusa Salgado de "infâmia"

FOTO JOSÉ VENTURA

Presidente do BESI diz que não aceita "responsabilização coletiva" pelo que se passou no grupo, lembra que denunciou más práticas e pede que se "separe o trigo do joio".

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

José Maria Ricciardi abriu a sua audição na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES com uma declaração em que recusa a "responsabilidade colectiva que alguns pretendem fazer impender sobre a família" - numa resposta direta à tese veiculada pelo primo, Ricardo Salgado, na audição anterior perante os deputados."Não aceito uma responsabilização sanguínea, não me submeto nem me conformo com responsabilização colectiva", insistiu. 

"Não enjeito, pelo contrário, reclamo, que a responsabilidade de cada um seja devidamente escrutinada pelas instituições competentes", disse o banqueiro, insistindo que cada um seja responsabilizado e tenha as consequências "pelos atos que praticou". 

O presidente do BES Investimento defendeu que várias as investigações em curso devem fazer "luz sobre quem prevaricou, em que circunstâncias e com que consequências", disponibilizando-se para ajudar a "distinguir o trigo do joio" e a "separar as aguas".

Ricciardi lembrou que, pela sua parte, denunciou as irregularidades da ESI e apresentou internamente uma proposta para alteração radical da forma de funcionamento do grupo. "Não fui acompanhado por nenhum membro do conselho superior", lembrou, referindo-se a esse facto como uma "traição" pela "maioria dos elementos do conselho superior".  

No seu caso, no BESI, sobre o qual tinha responsabilidade, disse, não houve fundo de resolução, nem falsificação de contas, nem prejuízos escondidos, nem desvio de fundos - um histórico que ligou ao facto de ter sido o único membro da família a quem foi reconhecida a idoneidade para continuar a liderar uma instituição bancária.

Confrontado pelo deputado do PS Filipe Neto Brandão com as palavras que lhe tinham sido dirigidas por Ricardo Salgado - segundo o qual a colaboração de Ricciardi com o Banco de Portugal (BdP) terá tido alguma contrapartida -, o banqueiro considerou a afirmação do seu primo "uma verdadeira infâmia".

O BdP "não faz negociações", "não faz trade offs", disse Ricciardi, lembrando que na posição em que estava "não basta não ter participação nos atos eticamente reprováveis ou mesmo ilícitos: é obrigatório, quando se tem conhecimento, não só se opor mas também denunciar os factos à entidade reguladora". Foi isso que fez, diz o líder do BESI: nem "delator", nem troca de favores. "A única coisa que fiz foi exercer o dever de diligência."