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Ricardo Salgado acusa supervisor de "divulgar informação a conta-gotas"

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Ricardo Salgado cumprimenta Fernando Negrão, presidente da comissão parlamentar de inquérito, à sua chegada ao Parlamento

Luís Barra

Ricardo Salgado voltou esta tarde ao Parlamento para esclarecer contradições de testemunhos que sucederam a sua audição a 9 de dezembro. Mas não só, já que terá também de responder sobre as conclusões da auditora forense da Deloitte.

Ricardo Salgado apresentou-se esta tarde na comissão Parlamentar de inquérito ao colapso do BES/GES, para uma segunda ronda de perguntas dos deputados, e como tem sido habitual foi-lhe dado tempo para fazer uma declaração com um máximo de uma hora.

Nessa apresentação, o ex-presidente do Banco Espírito Santo começou por agradecer a oportunidade para esclarecer as dúvidas relativas ao trabalho da comissão parlamentar, salientando que comparecia menos menos de 48 horas depois de ter sido divulgada a segunda parte da auditoria forense. 

"Não pretendo sustentar que nada sei, nada fiz, (...) não pretendo nem nunca pretendi refugiar-me no desconhecimento, porque ignorância dos factos não é imunidade", fisou. E acrescentou: "Só quero lutar pela minha honra e pela minha familia", e "sei que os anos que me restam de vida serão passados nessa luta".

O ex-banqueiro disse ainda que "lamenta profundamente todos os que foram prejudicados". "Nunca esqueci os clientes, colaboradores e acionistas. Esforcei-me até ao último dia para proteger os interesses do banco". E acusou o Banco de Portugal de andar "a divulgar a conta-gotas informação sobre a auditoria. È inadmissivel".

Ricardo Salgado tem como objetivo nesta sua intervenção colocar em destaque a atuação do Banco de Portugal ao longo dos últimos meses, nomeadamente, desde o início de 2014. E prossegue repetindo que " é inadmissível que uma parte interessada, o BdP, em relação ao segundo capítulo da auditoria da Deloitte relativa ao BES Angola, tenha noticiado há menos de 48 horas, as conclusões sobre a mesma e que esta assente inacreditavelmente em notícias veiculadas pela comunicação social ".

Ricardo Salgado aproveita para dizer que tendo em conta esta situação e o facto de não ter tido conhecimento oficioso sobre a mesma , nem tempo para diferir a informação, "não permite que me pronuncie sobre o seu conteúdo".        

O regresso de Ricardo Salgado servirá para esclarecer contradições de testemunhos que sucederam à sua audição anterior, a 9 de dezembro. Mas não só. O ex-banqueiro que concentrou em si a gestão do BES durante 22 anos e também do Grupo Espírito Santo (GES) terá também de responder sobre as conclusões da auditora forense da Deloitte, relativa a dois relatórios entre os cinco que irão sair. 

Na reta final, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) vai ouvir na próxima semana os três últimos testemunhos. O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, serão ouvidos na manha de terça feira. A ministra das Finanças, Maria Luis de Albuquerque vai no dia seguinte e encerra as audições da CPI que desistiu de mais de 60 testemunhos.