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Produções (quase) fictícias?

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Proibição de negociar com a RTP força produtora a procurar alternativas ao principal cliente. Fundador e novo diretor garantem que a viabilidade da empresa não fica em causa

Mais do que histórica, a ligação chegou a ser de dependência. O início da relação entre as Produções Fictícias (PF) e a RTP remonta à década de 90, tendo como catalisador os programas de Herman José, mas depois alargou-se. No número e nos géneros. Só entre 2008 e 2014, as PF venderam 30 formatos à empresa. Em 2013, quando produziu para a RTP formatos como "A Mãe do Senhor Ministro", "Herman 2013" ou "Breviário Biltre", mais de 90% da faturação das PF vieram de vendas à estação pública. Mas, a partir de 2015, esse valor será reduzido para zero. 

Na perspetiva das PF, este é mais do que um efeito colateral da saída do seu fundador e ex-diretor-geral, Nuno Artur Silva, para a administração da RTP. Porque a nomeação para o operador público teve um pressuposto: além de ter de abdicar de todos os cargos que tinha na produtora, enquanto Nuno Artur Silva se mantiver na RTP a estação não poderá contratualizar quaisquer conteúdos ou serviços às PF. Por questões de transparência. 

Ora, tendo em conta o peso da RTP na faturação da produtora, não significará este corte o fim do projeto que criou? Nuno Artur Silva defende que não. "É óbvio que quando me surgiu o convite tive de pensar muito. Mas a continuidade das PF ficou salvaguardada, porque o trabalho de corte na dependência excessiva da RTP já estava a ser feito", argumenta. 

A evolução nas vendas das PF à RTP é, aliás, elucidativa desse trajeto: se em 2013 a empresa recebeu quase €2,8 milhões da empresa pública, no ano seguinte essas vendas quedaram-se pelos €700 mil. Ou seja, se é verdade que a relação entre as PF e a RTP era histórica, "já há pelo menos um ano que as PF tinham decidido, internamente, que tinha de ser traçado um caminho alternativo". 

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