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Preço do petróleo em mínimo desde 2009

O preço do barril de Brent desceu esta terça-feira para 57 dólares. É o valor mais baixo desde início de maio de 2009.

O preço do petróleo continua a descer. Pelas 8h30, o preço do barril de Brent para entrega em fevereiro descia para 56,80 dólares, estando agora em torno dos 57 dólares. É o nível de preços mais baixo desde 11 de maio de 2009. O Brent é a variedade negociada  no ICE (Intercontinental Exchange) em Londres que atualmente serve de referência internacional.

A queda é de 50% desde o pico do preço em junho deste ano, ainda atrás da redução ocorrida entre junho e dezembro de 2008, quando o preço caiu cerca de 70%, de níveis superiores a 140 dólares para perto de 40 dólares. Desde a reunião do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a 27 de novembro em Viena a descida já é superior a 20 dólares.

Na segunda-feira, o preço do barril de Brent fechara em 57,88 dólares. Há três sessões consecutivas que fecha abaixo de 60 dólares.

 

Motor da queda do preço

O principal "motor" da descida do preço é o excesso atual de oferta; a sua contribuição em 2014 para a quebra do preço pesa 60%, segundo Olivier Blanchard, o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional. O ministro da Energia do Qatar, Mohammed Al Sada, estima que há um excedente de 2 milhões de barris diários no mercado.

Uma das razões apontadas para o excesso de oferta é a subida da produção norte-americana que atingiu 9,14 milhões de barris diários a 12 de dezembro, o nível mais elevado desde 1983. É preciso, no entanto, ter em atenção que os EUA são um importador líquido de crude e de produtos petrolíferos.

Os efeitos da descida do preço do petróleo são diferenciados. Para os exportadores de crude que dependem desses rendimentos para equilibrar a balança externa e o orçamento de Estado, e para prosseguir com investimentos na exploração, uma quebra de preços desta dimensão é dramática. Para os importadores líquidos e para os sectores intensivos no uso desta energia há um bónus.

No caso português, com um preço médio anual de 60 dólares, o PIB poderá crescer 2,5% em vez de 1,5% em 2015, e o défice orçamental poderá descer no próximo ano dos 2,7% para 2,5%, segundo cálculos do Expresso divulgados no diário digital a 16 de dezembro.

 

Desinflação importada

Por via da desinflação importada, a queda do preço do petróleo agrava o problema da inflação baixa (lowflation como a designou o Fundo Monetário Internacional) ou mesmo de inflação negativa na zona euro, o que pressiona o Banco Central Europeu para a tomada no início de 2015 de mais estímulos monetários que contrabalancem os efeitos negativos da desinflação ou mesmo da deflação.

Espanha é a quarta maior economia da zona euro e o impacto negativo da desinflação é o mais acentuado. O Instituto Nacional de Estatística espanhol divulgou esta terça-feira que a inflação anual (variação homóloga) em dezembro registou um valor negativo de -1,1%, surpreendendo os próprios analistas que previam uma inflação negativa de -0,7%. A inflação anual é negativa há seis meses consecutivos. Em novembro registava -0,46%.