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Preço do ouro negro em mínimo desde maio de 2009

O preço do barril de petróleo continua a descer. O Brent cotou-se a 64,5 dólares e a variedade norte-americana a pouco mais de 61 dólares. A quebra de preço em relação ao pico de junho é de quase 45%. Guerra de preços continua.

O preço do barril de petróleo continuou esta quarta-feira a trajetória de descida. Pelas 22h00, o preço do Brent em Londres desceu para 64,52 dólares e o preço da variedade norte-americana, o WTI (West Texas Intermediate), negociado em Nova Iorque, caiu para 61,25 dólares. Em relação ao pico do ano em junho acima de 100 dólares, o preço sofreu um colossal crash, uma quebra de quase 45%. Depois da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a 27 de novembro, em que o cartel decidiu não reduzir o seu teto de produção anual, o preço do Brent já desceu 11%.

Há uma tendência persistente de descida do preço do ouro negro no segundo semestre do ano que se tornou um dos traços marcantes da conjuntura económica mundial, com impactos desiguais em termos de crescimento (em geral beneficia, aumentando o rendimento disponível e diminuindo os custos de energia das empresas, adicionando um bónus ao PIB) e de inflação (provocando um processo de desinflação importada, que é negativo em diversos aspetos) e em termos de geografia de importadores (os importadores líquidos ganham) e exportadores (perdem os exportadores cujos custos de extração e produção são mais elevados e cujo orçamento governamental depende vitalmente destas receitas que se reduzem em dólares) desta commodity central.

 

Duas dinâmicas

O crash em curso no mercado petrolífero é o cruzamento de duas dinâmicas. Por um lado, a redução da procura em virtude do crescimento global fraco, e , por outro, a guerra de preços que o cartel da OPEP trava com os produtores e exportadores não filiados, em particular com a Rússia e com os Estados Unidos (que têm em curso o que é designado por "revolução do petróleo a partir do xisto").  

Os economistas da JP Morgan Chase calculam que o declínio do preço em curso é em 55% provocado pelo lado da oferta (em virtude do aumento de produção por parte dos EUA e do Norte de África e pela decisão do cartel da OPEP em não baixar o teto de produção) e em 45% resultado de problemas na procura, em particular em virtude do abrandamento económico na China e em outros mercados emergentes e do crescimento medíocre na zona euro.

Segundo a Bloomberg, o responsável pela análise de mercados do Ministério dos Petróleos do Irão admitiu que a guerra pode levar a uma queda do preço do barril de crude até ao patamar dos 40 dólares. A Agência Internacional de Energia revelou, esta semana, que as regiões mais produtivas de produção de petróleo a partir do xisto nos Estados Unidos são rentáveis mesmo com uma descida do preço até esse patamar. No entanto, diversos analistas salientam que, com uma descida tão brutal do preço do barril, um grande número de projetos de exploração não verão a luz do dia.

O cartel da OPEP divulgou esta semana no seu Relatório Mensal que procedeu a uma revisão em baixa da procura prevista em 2015 para o cabaz de variedades que produz. Reduziu a projeção em 300 mil barris diários (mbd). Prevê uma procura de 28,9 mbd no próximo ano, menos 500 mil barris diários que a estimativa média para 2014, apontando para o nível de procura mais baixo em 12 anos. O teto oficial de produção do cartel está fixado em 30 milhões de barris diários, e assim se vai manter até à reunião de junho de 2015, e em novembro produziu realmente 30,05 mbd, acima da procura média estimada.

 

Recorde nos EUA desde 1986

A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) informou esta quarta-feira que o inventário do stock comercial norte-americano (excluindo a reserva estratégica) aponta para um aumento de 1,5 milhões de barris na semana passada, contra a previsão dos analistas de uma redução de 2,2 milhões de barris. A agência divulgou ainda que a produção de crude nos EUA subiu para 9,12 milhões de barris por dia na primeira semana de dezembro, o nível mais elevado desde 1986.

Os defensores da revolução do shale (xisto) alegam que o crash do preço do barril não está a beliscar os EUA e que os principais prejudicados são a Rússia e os próprios parceiros da Arábia Saudita na OPEP que necessitam de preços muito mais elevados para equilibrar as suas contas.

Ali Al-Naimi, o poderoso ministro dos Petróleos da Arábia Saudita - o país exportador líder do cartel -, reafirmou esta quarta-feira em Lima: "Isto é um mercado e eu estou a vender em mercado. Porque razão deverei cortar a produção?".