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Portugal mais próximo da bancarrota

No dia que ficará para a história desta crise como a "terça-feira negra" da crise de default, Portugal ultrapassou Dubai e Iraque e subiu ao 6.º lugar, com mais de 28% de risco de bancarrota. Grécia mantém-se em 1.º lugar com perto de 48% de risco e Irlanda e Espanha continua a trajectória de alta.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Num movimento similar ao já ocorrido com a Grécia, que "galgou" dois lugares ontem, ultrapassando a Argentina e a Venezuela, e posicionando-se em primeiro lugar, também Portugal viu o risco de bancarrota subir para 28,43%, ultrapassando o Dubai e o Iraque, estando, agora, em 6º lugar.

O custo dos credit default swaps relativos à dívida soberana portuguesa está hoje mais de 300 pontos base acima da referência alemã, o que significa um agravamento de 3% nas condições de crédito.

O monitor de risco da CMA Datavision abrange 66 países e a evolução do caso português é preocupante: do final do 1º trimestre de 2010 até hoje, o país passou do 26º lugar com 11,7% de risco de default para 6º hoje com 28,43%. Se compararmos com o final do 4º trimestre de 2009, segundo o mesmo monitor de risco, o "salto" foi do 41º lugar, apresentando, então, um risco de 6,7%, para a 6ª posição agora.

O 27 de Abril ficará para a história desta crise de default como a terça feira "negra".

A Grécia viu a sua notação de crédito passar ao estatuto de "lixo" e Portugal viu o seu rating baixar dois níveis, para A-, hoje à tarde, por decisão da agência Standard& Poor's. Irlanda e Espanha com risco agravado

Também a Irlanda e a Espanha viram o seu risco subir hoje, respectivamente para próximo de 20% e mais de 16%. 

Os quatro países - Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha - foram hoje de manhã os que mais subiram no monitor de risco da CMA DataVision. A formação em voo dos quatro países mantém-se, confirmando a análise do Fundo Monetário Internacional sobre os elos fracos da zona euro, ameaçada de um risco de defaults (incumprimento de dívida) em série.

A indefinição política da Alemanha sobre a zona euro continua a pesar na percepção que os investidores e os especuladores têm sobre a situação de risco nos quatro países referidos, e em particular sobre a Grécia (que terá de financiar-se, de novo, até 19 de Maio) e Portugal.