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Portugal já pagou 6,6 mil milhões de euros ao FMI

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Ministério das Finanças confirma que pagamento já foi realizado. É o primeiro reembolso antecipado e faz parte da estratégia do Estado para poupar juros. 

João Silvestre

O Estado português já reembolsou 6,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), confirmou ao Expresso fonte oficial das Finanças. A antecipação do pagamento tinha sido autorizada recentemente pelo Eurogrupo, cujos países são igualmente credores de Portugal através do fundo de resgate europeu, e visa reduzir os encargos com juros.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) anunciou, entretanto, que o pagamento "foi executado em três datas (13, 16 e 18 de março) e representa 22% do empréstimo total do FMI a Portugal". A agência acrescenta ainda que "estes reembolsos correspondem às amortizações de capital que originalmente eram devidas entre novembro de 2015 e outubro de 2017".

O objetivo do IGCP é reembolsar mais 6000 milhões de euros em 2016 e 2000 milhões de euros em 2017. Dentro de dois anos, a concretizar-se esta estratégia, a dívida de Portugal ao FMI rondará 12 mil milhões de euros, ou seja, menos de metade do empréstimo original.

Esta amortização antecipada foi financiada através da utilização da almofada de liquidez do Estado (cerca de 4000 milhões de euros) e também da aceleração da emissão de Obrigações do Tesouro que estão, neste momento, a pagar taxas de juro em mínimos históricos.

Poupança de 500 milhões de euros

Com estes reembolsos antecipados, o Estado espera poupar 500 millhões de euros em juros durante os próximos 10 anos. Esta estratégia visa trocar dívida ao FMI, que nas tranches mais antigas (com mais de três anos) paga uma taxa a rondar 4%, por emissões a taxas que, neste momento, rondam 1,6% a 10 anos. 

O reembolso realizado esta semana, por si só, representa uma poupança anual em juro que poderá rondar 100 milhões de euros. O valor concreto dependerá do financiamento concreto que for usado para substituir o empréstimo do FMI.