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Portugal está a gastar menos 8,76 milhões de euros por dia em petróleo do que em novembro

FOTO JOSÉ VENTURA

Segundo projeções feitas pelo Governo, por cada 20% de redução na cotação do petróleo, o Produto Interno Bruto (PIB) português aumentará cerca de 0,5 pontos percentuais.

J. F. Palma-Ferreira

A cotação do barril de petróleo Brent caiu para 48,84 dólares - menos 34,55 dólares por barril que há dois meses -, o que permite poupar diariamente a Portugal cerca de 10,36 milhões de dolares, ou cerca de 8,769 milhões de euros, nos 300 mil barris de petróleo que o mercado nacional consome todos os dias nas refinarias de Sines e Porto.

A 7 de novembro de 2014, Portugal precisava de gastar 25,017 milhões de dólares por dia na compra de 300 mil barris diários, ao preço de 83,39 dólares por barril. Atualmente, com o barril de Brent a ser cotado a 48,84 dólares, Portugal gasta 14,652 milhões de dólares para comprar a mesma quantidade diária de petróleo. Ou seja, poupa 10,36 milhões de dólares por dia.

A atual queda da cotação do petróleo Brent reduz o custo anualizado das compras de petróleo para Portugal para 5,347 mil milhões de dólares, o que compara com o custo equivalente anual de 9,131 mil milhões de dólares que Portugal teria de suportar para comprar petróleo durante um ano, à cotação de 7 de novembro de 2014.

Ou seja, com a queda de cotações do petróleo ocorrida nos últimos dois meses, Portugal está a registar uma poupança anual potencial de 3,78 mil milhões de dólares, o que equivale a 3,2 mil milhões de euros.

Que consequências?

Para os portugueses o efeito desta poupança nas compras de petróleo tem diversos níveis. Primeiro, ao nível das contas externas do país e da relação entre importações e exportações, ao reduzir a fatura das importações de energia (petróleo), o desempenho relativo das exportações melhora, partindo do princípio que Portugal mantém o mesmo valor acrescentado nos refinados (gasolina e gasóleo) que exporta.

 

Por outro lado, segundo projeções feitas pelo Governo, por cada 20% de redução na cotação do petróleo, o Produto Interno Bruto (PIB) português aumentará cerca de 0,5 pontos percentuais. Pela lógica destas projeções do Governo, como a descida da cotação do petróleo já ultrapassa os 40%, o respetivo efeito potencial no crescimento do PIB português já ronda 1 ponto percentual.

Relativamente à componente fiscal da venda de combustíveis (cada litro de gasolina e de gasóleo vendido representa um encaixe fiscal fixo), sabendo-se que a descida dos preços de venda ao público induz um aumento do consumo de combustíveis (o consumidor mostra propensão para abastecer mais litros de combustível), isso faz com que o Estado aumente a receita fiscal obtida com a venda de gasolinas e gasóleos.

 

Finalmente, para o bolso do automobilista, a redução do preço de venda ao público da gasolina e do gasóleo dá uma folga ao rendimento disponível, que pode ser canalizada para maior consumo de combustíveis, para consumo geral, ou para poupança individual.