Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Portugal chega ao 1º lugar do "clube da bancarrota"

Com a declaração da Grécia em incumprimento restrito ou seletivo e um leilão de credit default swaps ligados à dívida helénica marcado para a próxima segunda-feira, Portugal ocupou o primeiro posto. O foco de atenção dos investidores vai, agora, virar-se para Lisboa.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Portugal lidera hoje o "clube da bancarrota" (TOP 10 dos países com mais alta probabilidade de entrarem em incumprimento da sua dívida soberana num horizonte de cinco anos). Ocupou o lugar da Grécia, que foi excluída desta galeria de candidatos ao default (incumprimento) mais tarde ou mais cedo. Abriu com um risco de 63,94%, superior ao valor de fecho de sexta-feira, segundo dados da CMA DataVision. Ao final da manhã subiu para 64,62%. Fechou o dia em 64,81% - mais de um ponto percentual acima do valor de fecho na sexta-feira.

O foco de atenção destes mercados da dívida deslocou-se, agora, para Lisboa.

O nível de risco da dívida portuguesa está distante do patamar a que chegou o risco grego, acima de 90% nas últimas semanas, antes de entrar em default, e com um custo "à cabeça" dos contratos dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento, acrónimo cds) no patamar dos 75 pontos. O custo à cabeça dos contratos de cds para a dívida portuguesa está em 35,5 pontos, segundo dados da Markit.

Nas bolsas alemãs, os títulos de mais longo prazo da dívida portuguesa - por exemplo, com vencimentos entre 2017 e 2020 - estão a transacionar-se entre 52,5% e 57,6% do seu valor facial. Com prazos mais curtos - com vencimentos entre 2014 e 2016 - transacionam-se com valores mais elevados, entre 62% e 75,25% do valor facial, segundo dados do OnVista. Todos eles incorporam já um "corte-de-cabelo" no seu valor facial.

Subida abrange sete países da zona euro

A probabilidade de incumprimento da dívida irlandesa, espanhola, italiana, belga, francesa e austríaca fechou, também, em valores acima dos de sexta-feira. Houve um movimento altista generalizado entre os designados países periféricos, bem como em alguns do "centro" da zona euro. Incluindo Portugal, são sete países da zona euro afetados.

O "clube da bancarrota" integra, agora, três países da zona euro, Portugal, que lidera, a Irlanda em 5º lugar, e Espanha em 9º. A Itália, com um risco de 27,94% ficou a algumas centésimas de distância do Líbano, que ocupa o 10º lugar, com 27,96%.

Portugal entrou, pela primeira vez, para este TOP 10 no 2º trimestre de 2010. Chegou ao 2º lugar no 3º trimestre de 2011. Portugal é resgatado pela troika em maio de 2011.

Grécia fora do "clube" temporariamente

A Grécia foi, temporariamente, excluída do monitor de risco de incumprimento da CMA DataVision, que cobre mais de oito dezenas de países que poderão entrar em default num horizonte de cinco anos. A Grécia entrou em default, segundo este mercado.

A Grécia entrou para o 10º lugar do TOP 10 no 4º trimestre de 2009, com um risco de 17,4%. No 2º trimestre de 2010 alcançava o 2º lugar e no 4º trimestre do mesmo ano a 1ª posição, então, com um risco de 58,8%. Em maio de 2010, a Grécia tem o primeiro resgate pela troika e em outubro de 2011 vê aprovadas as linhas gerais de um segundo resgate. Sai, agora, do TOP 10 em situação de default, com um segundo pacote de 130 mil milhões de euros para sobreviver até 2014.

A ISDA (International Swaps and Derivatives Association) decidiu no final de sexta-feira considerar o acionamento das cláusulas de ação coletiva (CAC) pelo governo grego como um evento de crédito (ou seja um default), obrigando a pagar os contratos de credit default swaps ligados à dívida helénica, e a agência de notação Fitch colocou a notação da Grécia em default "restrito". Recorde-se que a Standard & Poor's já havia colocado a dívida grega em situação de default "seletivo". O leilão dos contratos de cds ligados à dívida grega realiza-se dia 19 de março, segundo anunciou a ISDA.

Só depois da troca efetiva de títulos antigos pelos novos títulos a que o governo de Atenas vai proceder junto dos credores privados que aceitaram os termos da proposta ou que são abrangidos compulsivamente pela lei grega ao abrigo dos CAC, os mercados de seguros da dívida voltarão a analisar o caso grego. Atenas estendeu até 23 de março o prazo limite para os credores privados com títulos não sujeitos à lei grega aceitarem a proposta. Há ainda 31% deste tipo de credores que não aderiram.

Apesar dos títulos ainda não terem sido trocados, desenvolveu-se já um mercado "cinzento" em que os ainda não emitidos novos títulos a 30 anos estão a ser oferecidos por 22% do valor nominal e procurados por um máximo de 19%. Os títulos gregos que vencem a 20 de março têm um valor atual de 20% do valor facial.

Se a operação de troca de títulos for concretizada, a dívida grega atual será reduzida em cerca de 105 mil milhões de euros (equivalendo ao corte de 53,5% no valor facial dos títulos na mão de credores privados), mas o país assinou um segundo pacote de resgate de mais 130 mil milhões de euros junto dos credores "oficiais" (28 mil milhões a aprovar pelo Fundo Monetário Internacional, segundo prometeu Christine Lagarde, e o restante já desbloqueado ou a financiar em breve pela zona euro).