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Pires de Lima e o relatório do FMI. "Já não tenho idade para puxões de orelhas"

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FOTO José Sena Goulão/Lusa

O ministro da Economia insinuou, em declarações à TSF, que a instituição liderada por Christine Lagarde quer exposição mediática. "O FMI tem ele próprio de fazer uma prova de vida e faz essa prova de vida com relatórios como este. Usa um tom provocatório, até porque se não for provocatório não sai em lado nenhum e isso deixa os técnicos do FMI muito tristes."

"Puxão de orelhas? Não." Foi num tom crítico e irónico que o ministro da Economia comentou esta manhã, em declarações à TSF, o relatório da avaliação anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) relativo a Portugal, conhecido na terça-feira, que coloca dúvidas quanto à meta do défice do Governo e alerta para a necessidade de reformas adicionais.

"Já não tenho idade para receber puxões de orelhas, nem eu nem os portugueses. Se pretende ser um puxão de orelhas, não vão apanhar orelhas nenhumas. O FMI é uma instituição respeitável mas que também tem de justificar a sua existência. Mais do que o conteúdo, é o tom que aqui marca. O FMI tem ele próprio de fazer uma prova de vida e faz essa prova de vida com relatórios como este. Usa um tom provatório, até porque se não for provocatório não sai em lado nenhum e isso deixa os técnicos do FMI muito tristes", diz Pires de Lima nas suas declarações à TSF.

O ministro da Economia reagiu assim aos avisos do FMI, insinuando que o Fundo quer exposição mediática. "Espero é que o FMI não tenha que pôr orelhas [de burro], daquelas que se punham na escola, por terem errado tanto ao nível das previsões da matéria de consolidação orçamental. O FMI tem-se caracterizado em matéria de emprego por errar todas as previsões, todas!"

"Sem dramas, é preciso olhar para estes estudos que saem com tom doutoral, parece que alguém está a sofrer abstinência do poder que gozava até maio sobre Portugal", insiste.



O ministro da Economia defendeu porém que é preciso olhar para estes relatórios com o "espírito aberto", tendo consciência de que há ainda muito trabalho pela frente nomedamente nos sectores dos transportes e da energia.



"Isto não significa que o trabalho esteja todo feito, parece-me bastante normal e razoável que olhemos para esses relatórios de forma construtiva esperando que ps desafios do espírito redormista se matenha nos próximos anos. O processo nunca pode estar concluído, temos que olhar sempre para outros países europeus", frisou.

Questionado sobre se os custos de contexto são penalizadores para o crescimneto económico, Pires de Lima garantiu que os custos da eletricidade estão ao nível da média europeia e que ao nível do gás natural o Executivo tem implementado algumas medidas com vista à redução do custo não só para as empresas, mas também para os consumidores. 

Relativamente aos transportes, o governante reiterou a necessidade de se avançar com as privatizações em várias empresas públicas do sector: "Vamos poupar milhões de euros aos contribuintes e vamos ter um ambiente de maior paz social evitando o incómodo a pessoas que usam estas empresas de transportes em Lisboa e no Porto de terem que passar a suportar as greves. Quanto à TAP vamos privatizar a empresa para que de alguma forma possa crescer com capitais privados", apontou.

Considerou ainda que estes alertas do FMI são úteis quer para os partidos do Governo, quer para os partidos da oposição e que a economia tem todas as condições para crescer. "Estou confiante de que a economia vai crescer eventualmente mais do que orçamentámos e aí o FMI vai ter que rever as suas previsões", disse Pires de Lima, defendendo que o desemprego deverá ser revisto em baixa.

"A economia portuguesa estará assente na competividade das empresas e na confiança consumidores, pelo que vai crescer não só em 2015 mas nos anos seguintes", rematou.