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PGR investiga negócio entre Estado, Salvador Caetano e Airbus

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A Procuradoria Geral da República está a recolher elementos para avaliar a legalidade de um negócio aeronáutico entre a Salvador Caetano e a Airbus, patrocinado pelo Estado.

A Procuradoria Geral da República (PGR) está a investigar o negócio envolvendo o Estado, a Salvador Caetano e a Airbus, revela a edição de hoje do "Público".

Segundo o jornal, a renegociação do contrato do Estado com a Airbus Space and Defense (divisão militar) pode estar ferida de ilegalidade. No Tribunal Administrativo, o Ministério Público "encontra-se a recolher elementos, com vista a decidir o tipo de procedimento a adotar", responde a PGR citada pelo matutino.

A parceria Cateano/Airbus levou à instalação em Gaia de uma unidade para fornecer peças a dois modelos militares, num investimento que rondará os 20 milhões de euros, criando 300 postos de trabalho até 2017. 

Mas a parceria foi incluída no contrato de contrapartidas que foi celebrado entre  a Airbus e o Estado português pela aquisição de 12 aviões de transporte C-295 para substituir a frota de Aviocar.

Conselheiro e adjunto

Segundo conta o "Público", Artur Mendes, empresário de comunicação e ativista do PSD, participou nas reuniões como conselheiro do então ministro Álvaro Santos Pereira, ao mesmo tempo que era sócio em empresas de Miguel Caetano Ramos, administrador do grupo Salvador Caetano. Mendes venderia depois a sua empresa E3C ao grupo de Gaia. Artur Mendes poderá, assim, ter facilitado a concretização de um negócio para um grupo com que tinha ligações.

Outro nome citado pelo "Público" é o de Manuel Pinheiro, adjunto de Santos Pereira que participou também nas reuniões. Para o projeto Caetano Aeronautics avançar, teria de ser integrado no lote de beneficiários das contrapartidas da Airbus (464 milhões de euros) que se encontrava com uma execução muito baixa.

Manuel Pinheiro trabalha hoje numa das empresas do grupo Salvador Caetano. Ao "Público", considera que a sua passagem direta do Governo (onde além de adjunto do ministro foi também chefe de gabinete de Pedro Gonçalves, secretário de Estado da Inovação, até dezembro passado) para uma empresa com a qual lidou "não é eticamente questionável". "Trabalhei com quase todas as empresas portuguesas", responde ao matutino.