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Petróleo: guerra de preços não abranda

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Preço do petróleo já caiu 45% desde o pico em junho. Os impactos são muito desiguais.

A derrocada do preço do barril de petróleo parece imparável e tornou-se um traço marcante da conjuntura económica mundial no segundo semestre deste ano. O preço do barril de Brent em Londres desceu esta semana para perto de 64 dólares e o preço da variedade norte-americana, o WTI (West Texas Intermediate), negociado em Nova Iorque, caiu para menos de 61 dólares, à hora de fecho desta edição.

Em relação ao pico do ano registado em junho acima de 100 dólares, o preço sofreu uma quebra colossal de quase 45%. Depois da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a 27 de novembro, em que o cartel decidiu não reduzir o seu teto de produção anual até junho de 2015, o preço já desceu mais de 10%. Já se fala de que pode cair até perto dos 40 dólares.

Os impactos desta derrocada são profundamente desiguais. Em termos de crescimento, o petróleo mais barato é benéfico, aumentando o rendimento disponível das famílias e diminuindo os custos de energia das empresas, e significativamente das que são intensivas no consumo de derivados do crude.



Prémio para o PIB

Petróleo barato adiciona um bónus ao Produto Interno Bruto (PIB). Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), calcula que o crescimento nas economias desenvolvidas possa subir 0,8 pontos percentuais se a trajetória de descida continuar.

Mas, em termos de inflação, alimenta um processo de desinflação importada, que é negativo em diversos aspetos, e que pressiona cada vez mais os bancos centrais das economias desenvolvidas a travarem a subida das taxas diretoras de juros - nos casos da Reserva Federal dos Estados Unidos e do Banco de Inglaterra - ou a tomarem ainda mais medidas de estímulos monetários, com o Banco Central Europeu e o Banco do Japão na primeira linha.

Em termos de geografia económica desta matéria-prima, os importadores líquidos ganham, mas perdem os exportadores cujos custos de extração e produção são mais elevados e cujo orçamento governamental depende vitalmente destas receitas (que se veem reduzidas em dólares).

Os economistas da JP Morgan Chase calculam que o declínio do preço em curso é em 55% provocado pelo lado da oferta (em virtude do aumento de produção por parte dos EUA e do Norte de África e pela decisão do cartel da OPEP em não baixar o teto de produção) e em 45% resultado de problemas na procura, em particular em virtude do abrandamento económico global, e em particular na zona euro e na China.