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Petrobrás perde 1,89 mil milhões de euros com corrupção

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O presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, conta com um acordo com a Justiça brasileira para que o dinheiro resgatado em contas no exterior volte à caixa da empresa

VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images

Gastos relacionados com a corrupção custaram à petrolífera brasileira 6.2 mil milhões de reais, indica o balanço financeiro da empresa.

A brasileira Petrobrás perdeu 6,2 mil milhões de reais, o equivalente a 1,89 mil milhões de euros, devido a custos relacionados com a corrupção relativos ao período entre 2004 e 2012 e identificados nas investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, reconhece a empresa no seu balanço financeiro do exercício passado.

Divulgado com cinco meses de atraso, o balanço reconhece, também, perdas com ativos no valor de 44,636 mil milhões de reais (13,185 mil milhões de euros), parte dos quais na sequência de reavaliações já sob o efeito da operação Lava Jato.

A companhia estatal brasileira, envolvida em denúnicas de desvio de dinheiro, pagamento de luvas e branqueamento de capitais no âmbito da Operação Lava Jato, fechou o exercício de 2014 com um prejuízo de 21,5 mil milhões de reais (mais de seis mil milhões de euros), apesar da produção de petróleo e gás natural ter crescido 6%. Foram os primeiros prejuízos da empresa desde 1991.

A consultora PricewaterhouseCoopers (PWC) tinha-se recusado a auditar o balanço do terceiro trimestre de 2014 em novembro último, devido à controvérsia sobre a forma de contabilizar as perdas em causa, o que aumentou as dificuldades da empresa perante o mercado.

Agora, o mercado dá sinais de que "o pior já passou", como diz o analista independente Pedro Galdi, citado pelo jornal "Estado de S. Paulo". O analista defende que apesar dos números "feios", a mensagem de que a empresa tenta arrumar a casa é importante, tal como o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, procurou dizer ao mercado em conferência de imprensa.

"A partir daquia, a Petrobrás volta a garantir o relacionamento com os seus acionistas e investidores  no Brasil e no exterior", afirmou o executivo. "A Petrobrás não vai fazer marcha à ré", sublinhou Bendine, convicto de que a empresa começará a receber, em maio, o dinheiro desviado com corrupção.

Para isso, Bendine conta com um acordo com a Justiça brasileira para que o dinheiro resgatado em contas no exterior volte à caixa da empresa.