Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Petição pública contra a privatização da TAP chega ao Parlamento

30 de novembro de 2014. Passageiro observa os painéis informativos na área das partidas do Aeroporto de Lisboa em dia de greve dos tripulantes de cabine da TAP

Pedro Nunes/Lusa

Sindicatos entregam esta quinta-feira uma petição com vista a travar a venda da companhia aérea portuguesa.

A plataforma sindical do grupo TAP vai entregar esta quinta-feira, às 11h, na Assembleia da República, uma petição pública contra a privatização da TAP, com 5159 assinaturas.

A petição é entregue depois de o Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) ter cumprido esta semana o último de quatro dias de greve anunciados a 3 de outubro, com paralisações a 30 de outubro e 1 de novembro, bem como a 30 de novembro. De acordo com fonte sindical, a adesão à greve desta quarta-feira rondou os 100%, tendo sido realizados os voos previstos pelos serviços mínimos estipulados pelo Conselho Económico e Social. 

Fernando Pinto escreveu aos tripulantes garantindo que a "empresa está pior" em resultado dessa greve.

O relançamento da privatização da TAP está a preocupar os trabalhadores da companhia, que já se reuniram em plenário geral para tentar travar o processo de venda. Da sala onde, há duas semanas, estiveram cerca de 700 trabalhadores do grupo saiu uma moção aprovada por unanimidade e que pede uma audiência a Cavaco Silva.

O Presidente da República tem quarenta dias para promulgar o decreto que inicia o processo de venda da TAP e que foi aprovado em Conselho de Ministros há três semanas.

A intenção é alienar, numa primeira fase, 66% da empresa, com o objetivo de o Estado sair totalmente do capital a médio prazo. O vencedor deverá ser escolhido até ao início do segundo trimestre de 2015.

Leia a petição pública da plataforma sindical:

Ex.mª Sr.ª Presidente da Assembleia da República, Os trabalhadores da TAP Portugal e demais cidadãos interessados abaixo assinados, vêm manifestar publicamente a sua total discordância em relação à privatização da TAP Portugal SGPS, anunciada no passado dia 13 de Novembro de 2014, pelas razões que a seguir se invocam: 1. A TAP Portugal é uma Empresa de todos os Portugueses e considerada por nós uma extensão do Território Nacional, não podendo ser vendida sem o Governo demonstrar a utilidade pública desta venda, bem como a sua necessidade urgente e impreterível. 2. A TAP Portugal SGPS emprega mais de 12 mil trabalhadores directamente, e uma condução precipitada da sua venda, tendo por base as declarações dos vários interessados quanto à redução do número de trabalhadores, poderá prejudicar ainda mais a economia nacional e, neste caso específico, a própria sustentabilidade a curto/médio prazo da Segurança Social. 3. Esta privatização, tal como já demonstrado noutras Empresas do tecido empresarial do estado, publicas ou não, tal como PT, a EDP e a Cimpor, não protege os interesses nacionais. 4. Este modelo de privatização não protege adequadamente as Regiões Autónomas, o HUB de Lisboa, as rotas ultramarinas ou a Diáspora. 5. A calendarização para a venda da TAP Portugal SGPS, que este Governo, em fim de mandato e derrotado em todas as sondagens públicas, preconiza, não pode ser aceite. Pelo exposto, os ora signatários solicitam que: - Se suspenda o processo de privatização da TAP Portugal SGPS; - Em sede de Comissão Parlamentar se proceda à avaliação, do modelo de privatização que o Governo propõe. - Se proceda à realização de um referendo público, com carácter vinculativo, sobre se os Cidadãos Portugueses concordam com a privatização da nossa TAP Portugal, Companhia Aérea de bandeira.