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Passos lamenta greve dos pilotos da TAP

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Primeiro-ministro recusa dizer se pretende se o Governo admite decretar uma requisição civil, como fez na altura do Natal.

O primeiro-ministro lamentou esta quarta-feira que os pilotos da TAP tenham convocado uma greve de dez dias para maio e escusou-se a responder se o Governo admite decretar uma requisição civil, como fez na altura do Natal.

"Porque é que faz essa pergunta? Eu não respondo a questões dessa natureza em cima do joelho. Eu sei também que me ia fazer essa pergunta, porque ela é tão óbvia, não é? O Governo, em dezembro, decretou a requisição civil em circunstâncias muito excecionais, muito excecionais", declarou Pedro Passos Coelho aos jornalistas, à margem de uma cerimónia sobre cultura no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Questionado sobre se esta não é uma circunstância excecional, o primeiro-ministro retorquiu: "Não vou responder a essa questão, porque o Governo nem sequer teve ainda ocasião de poder discutir esta matéria. Portanto, não vou pré-anunciar coisa nenhuma, e espero que não venham todos os dias fazer a mesma pergunta, porque não quero ter de dar sequer uma resposta a essa matéria".

Defendendo que a privatização da TAP é decisiva para salvaguardar os postos de trabalho e a preservação da empresa, o primeiro-ministro apontou a decisão do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) como contrária a esses interesses e desrespeitadora do que foi acordado com o Governo.

"Eu espero, portanto, que esteja ao alcance do sindicato dos pilotos poder repensar esta atitude", afirmou o governante.

Interrogado sobre a notícia desta greve de dez dias convocada para a partir de 01 de maio, o chefe do executivo PSD/CDS-PP começou por declarar: "Parece-me muito mal, porque o Governo esforçou-se para conduzir todo o processo de privatização da TAP com a maior paz sindical possível. Investiu bastante em ter um entendimento, um acordo, que foi depois transposto até para o próprio caderno de encargos da privatização".

"Nessa medida, só posso lamentar essa decisão, que me parece que vai ao arrepio daquilo que foi, quer a boa-fé negocial, quer o trabalho em conjunto que fizemos", prosseguiu, concluindo: "Espero, portanto, que esteja ao alcance do sindicato dos pilotos poder repensar esta atitude".

Depois, Passos Coelho qualificou de "muito importante" a privatização da TAP e disse que "é a única maneira que o Governo vê de poder preservar o emprego e a própria companhia". 

"Espero que o efeito deste tipo de atitudes não tenha uma consequência perversa sobre o resultado que se espera. Quando alguém invoca um interesse de natureza sindical num processo que é decisivo para salvaguardar quer o emprego, quer a própria empresa, não joga a bota com a perdigota. Os processos que prejudicam o sucesso da privatização são, desse ponto de vista, contraditórios", concluiu.

O primeiro-ministro reiterou que lamenta "profundamente esta situação" e que espera "que possa ser revista por parte do sindicato".