Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Passos Coelho. "Nas reformas estruturais não há esquerda nem direita - há bom e mau Governo"

Passos Coelho encerrou a conferência "Crescer? Sim, claro. Mas como?", organizada pela SIC Notícias, em Lisboa

Luís Barra

Primeiro-ministro encerrou conferência da SIC Notícias a falar sobre estratégias de crescimento. Mencionou o passado - "a contradição entre políticas públicas foi regra"; a intervenção do Estado na vida das grandes empresas "serviu para destruir a concorrência" -, defendeu disciplina para o presente e observou o futuro. "Não vejo as decisões futuras a estarem completamente dependentes das decisões europeias."

Primeiro, o otimismo. "É muito significativo que se pense em como crescer, porque já não se duvida que somos capazes de o fazer". Depois, as barreiras: a dimensão da dívida pública "é um fardo pesado", mas não tem que ser "obstáculo insuportável" ao crescimento. Finalmente, a solução: para Passos, disciplina é a chave - e é ferramenta, sustenta, que não tem que ver com ideologias.

"Contas equilibradas são condição de crescimento. Na disciplina orçamental e reformas estruturais não há esquerda nem direita - há bom e mau Governo", afirmou esta quarta-feira no encerramento da conferência "Crescer? Sim, claro. Mas como?", organizada pela SIC Notícias, em Lisboa.

Para o primeiro-ministro, há ainda uma questão de "coerência". "No passado, a contradição entre políticas públicas foi regra. Umas anulavam outras", declarou. "Não podemos elaborar políticas públicas que separam justiça de inovação, educação de investimento."

O chefe de Governo realça que a intervenção do Estado na vida das grandes empresas, "no passado, serviu para destruir a concorrência e afetar a sua vida". "O Estado tem que facilitar a vida das empresas", "não interferindo na sua vida interna, decisões e estratégias", ainda que não deva descartar-se da sua função de garantir condições para o bom funcionamento das mesmas.

A inovação deve estar também no centro das instituições, realça o primeiro-ministro, sublinhando a necessidade de uma interação mais ampla entre as empresas, universidades e centros de ciência. "O novo ciclo de fundos europeus integra esta prioridade estratégica: investir bem e com inteligência no nosso futuro (...). Portugal tem de ter a ambição de ser um dos países mais inovadores do mundo."

No final, a sua resposta para o crescimento virou-se para a União Europeia. Mas Passos descola o crescimento de Portugal de uma mera dependência das decisões europeias. "Não vejo as decisões futuras a estarem completamente dependentes das decisões europeias. Isso reflete a falta de uma estratégia nacional e é sintoma de fraqueza política. É em Portugal que lançamos as bases para a prosperidade futura."