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Parlamento grego "vota" a favor de eleições legislativas antecipadas

O candidato único presidencial apresentado pelo governo apenas recolheu 168 votos no Parlamento, abaixo dos 180 necessários nesta terceira volta.  Eleições legislativas antecipadas deverão realizar-se a 25 de janeiro do próximo ano.

O candidato único Stavros Dimas, apresentado pelo governo grego, não foi eleito na terceira e última volta das eleições presidenciais que decorreram no Parlamento helénico esta segunda-feira de manhã.

Dimas recolheu apenas 168 votos, tal como na segunda volta realizada a 23 de dezembro, abaixo dos 180 votos necessários para ser eleito. Em virtude de ter perdido esta última volta, o Parlamento grego terá de ser dissolvido e convocadas eleições legislativas antecipadas, que poderão realizar-se a 25 de janeiro de 2015. Só depois de um novo Parlamento eleito se procederá à votação de novos candidatos presidenciais. Em março, o atual presidente Karolos Papoulias, de 85 anos, termina o mandato.

Depois do apelido Dimas (do candidato), a segunda palavra mais ouvida foi "Parón" (Presente) repetida por 132 deputados, que não votaram nem a favor nem contra. Estes deputados aplaudiram a derrota do candidato do governo no final da sessão. O Parlamento tem 300 deputados eleitos em junho de 2012 para uma legislatura que, normalmente, terminaria em junho de 2016.

À hora de fecho da votação, o índice da Bolsa de Atenas perdia 10,7%. No mercado secundário da dívida, as yields das obrigações gregas a 3 anos dispararam para 11,3% e as relativas ao prazo a 5 anos subiram para 9,78%. No prazo a 10 anos, as yields registam 8,63%, sete pontos base acima do fecho de sexta-feira.

Recorde-se que o Eurogrupo estendeu até final de fevereiro o final do segundo programa de resgate no que respeita à intervenção dos fundos europeus. O 6º exame ao andamento do programa está por concluir.

 

Eventos sistémicos

As eleições legislativas antecipadas na Grécia são o primeiro ato eleitoral de um conjunto que poderá marcar o ano de 2015 na União Europeia.  Em maio realizam-se eleições gerais no Reino Unido, onde a expetativa se centra na votação do partido anti-europeu. Em outubro realizam-se eleições gerais em Portugal e em dezembro em Espanha. Na Europa decorrem ainda outras eleições na Finlândia em abril, na Dinamarca em setembro e na Polónia em outubro.

Muitos analistas consideram as eleições que vão decorrer na Grécia, Reino Unido e Espanha como "as sistemicamente mais importantes". A City Research, no seu relatório "Global Political Insights" publicado a 17 de dezembro, fala de um risco elevado de "eventos Voz Populi" em 2015, que podem incluir apoio crescente a partidos fora dos arcos de governação tradicionais (como é mais visível na Grécia e Espanha) e colapsos dos governos no poder.