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Para Salgado, o BES não faliu. "Foi forçado a desaparecer"

FOTO JOSÉ CARIA

Ex-banqueiro lamenta não ter tido o tempo que pediu e deixa críticas ao Banco de Portugal. "Houve uma grande pressão para vender e quem vende com pressa, vende mal", argumentou, evidenciando o caso da Tranquilidade.

Anabela Campos e Isabel Vicente [com Maria João Bourbon]

Ricardo Salgado sustenta que o BES nunca chegou a falir, a 29 de julho, nas vésperas da resolução - tinha um capital de 3,7 mil milhões de euros. E diz: "O BES foi forçado a desaparecer". 

"O problema do BES tinha sido resolvido se nos tivessem dado mais tempo", refere o ex-banqueiro, que se deslocou esta terça-feira à comissão de inquérito parlamentar sobre o caso BES. E explica: quando foi pedir 2,5 mil milhões de euros ao Estado, não era para o Estado ficar como acionista do BES, mas para ser reembolsado a cinco anos. Este crédito tinha um tempo "necessário" para o grupo poder vender os ativos da área não financeira.  

Ricardo Salgado critica o facto do Banco de Portugal não ter entendido as consequências que uma crise como a do grupo implicava. "Pedimos tempo ao Banco de Portugal, que não nos deu", afirmou esta terça-feira o banqueiro, durante a comissão de inquérito na Assembleia da República. "Houve uma grande pressão para vender e quem vende com pressa, vende mal".

O ex-presidente do BES explica que foi isso que aconteceu com os ativos vendidos, evidenciando o caso da Tranquilidade.

O banqueiro lamentou o facto de não ter tido tempo para solucionar a crise do grupo. "Com sete meses era impossível resolver um problema desta magnitude", explica Salgado. "O prazo não nos foi diretamente fixado, mas os constrangimentos impostos acabaram por fixar este prazo".

E esclarece ainda que os riscos inerentes à falta de tempo foram comunicados ao Banco de Portugal. "Três vezes por escrito o Banco de Portugal foi avisado do risco sistémico", afirma Ricardo Salgado, referindo uma carta de 31 de março dirigida ao Banco de Portugal.

Minutos depois em resposta a Miguel Tiago do PCP, diz: "48 horas para fazer um aumento de capital só fosse por milagre". E prossegue:"Quando o Banco de Portugal pede para fazer isto é também uma forma de se responsabilizar e avançar com a resolução". "Estava tudo mais ou menos orientado para o mesmo", concluí.

Já durante a intervenção na parte da tarde, Salgado adianta que "a 12 de junho havia investidores interessados a entrar num aumento de capital". 

A resolução que dividiu o BES em dois, bom e mau, foi tomada a 3 de agosto.