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ONU teme crise alimentar

Nos últimos dois meses os preços dos bens alimentares subiram 5% em todo o mundo. A ONU teme que tal possa gerar uma onda de protestos à escala global e que isso possa originar mais conflitos sociais.

Vítor Andrade (www.expresso.pt

O fantasma da crise alimentar de 2008, que gerou conflitos em vários países, paira de novo sobre a população de todo o mundo.

A quebra na produção de de cereais na Rússia (nomeadamente devido aos incêndios que duram há mais de um mês), assim como na Ucrânia, que são dois dos principais abastecedores do mercado mundial, está a desencadear uma onda de receios quanto à eventual ruptura de stocks em alguns países, com consequências para as populações com menos posses.

O aumento dos preços dos bens alimentares já começou (5% no espaço de dois meses, à escala global) e a FAO, organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação está preocupada com as consequências. Por isso mesmo acaba de marcar uma reunião de emergência para 24 de Setembro, em Roma, para debater o assunto e tentar encontrar soluções.

Conflitos sociais em vários países 

Teme-se uma nova crise alimentar semelhante à de 2008, altura em que a grande procura de cereais para a produção de biocombustíveis originou subidas de preços e ruptura de stocks em vários países. Nesse ano, e pela primeira vez desde a 2ª guerra mundial, a Europa ficou sem cereais em stock.

Segundo a ONU, os preços estão nos níveis mais altos desde há dois anos precisamente. Esta escalada de preços já desencadeou protestos em Moçambique nos últimos dois dias e também no Egipto e na Sérvia. No Paquistão, onde as cheias das últimas semanas destruíram um quinto

das colheitas do país, o preço dos produtos alimentares subiu 15%.

Em portugal, este foi um dos piores anos de  sempre na produção de cereais, tendo apenas sido asseguradas 20% das necessidades do país. Isto significa que Portugal está cada vez mais dependente do exterior para se alimentar. O problema, segundo alguns analistas, é que os cereais começam a escassear em alguns dos principais mercados internacionais onde Portugal se costuma abastecer.

Dos quatro milhões de toneladas de cereais que o país consome anualmente, na actual campanha as colheitas não foram além das 800 mil toneladas.

Os produtores de cereais, que contam sobretudo com activos na casa dos 50/60 anos, garantem que se não se incentivar a adesão de jovens aos campos e ao trabalho agrícola, dentro de poucos anos (talvez uma década) Portugal poderá ter ainda menos produção que a que tem hoje, ou praticamente nada.