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OMC revê em baixa, para 3,3%, o crescimento do comércio mundial em 2015

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Dados anteriores da Organização Mundial de Comércio apontavam para um crescimento de 4,3% este ano. Estimativas para 2016 apontam para acréscimo de 4%.

O comércio mundial deverá aumentar 3,3% em 2015 e 4% em 2016, segundo um relatório hoje divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Com estes números, a OMC reviu em baixa as anteriores estimativas para 2015, já que estas apontavam para acréscimos de 5% e, posteriormente, de 4,3%.

Em 2014, as trocas comerciais mundiais aumentaram apenas 2,8%, fazendo com que a média dos últimos três anos seja de 2,4%, longe da média de 6% do período de tês anos anterior à crise.

Os fracos acréscimos de 2014 marcam o terceiro ano consecutivo em que a expansão do comércio mundial fica abaixo dos 3%.

"O crescimento do comércio foi dececionante em anos recentes, devido ao muito fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, depois da crise financeira internacional", afirmou hoje numa conferência de imprensa o diretor-geral da OMC, Roberto Azevedo.

Além dos problemas referidos pelo diretor-geral, os economistas da OMC sublinham outros fatores que contribuíram negativamente para o crescimento das trocas, como as flutuações das divisas, especialmente a apreciação de 14% do dólar entre julho de 2014 e março de 2015.

Mesmo assim, o colapso dos preços do petróleo em 2014 - uma queda de 47% entre 15 de junho e 31 de dezembro - afetou os ganhos dos países produtores porque reduziu, posteriormente, a capacidade importadora destes.

O relatório sublinha que a queda do preço do petróleo também aumentou a capacidade de aquisição de muitos países importadores, fazendo com que "ainda fique por saber se a contínua queda dos preços do petróleo terá um efeito positivo ou negativo para o comércio mundial em 2015".

O máximo responsável da OMC indicou que se espera que nos próximos anos o comércio continue a ter uma "lenta recuperação", mas advertiu que "com um crescimento económico ainda frágil e com tensões geopolíticas, esta tendência poderia ser facilmente anulada".

Por agora, os economistas da OMC estimam que a expansão comercial em 2016 será de 4%.

O relatório indica que as exportações dos países em desenvolvimento cresceram mais do que as da maioria dos países desenvolvidos em 2014 - 3,3% e 2,2%, respetivamente -, enquanto as importações dos países emergentes registaram um comportamento inverso e caíram 2% face ao crescimento de 3,2% das economias ricas.

As exportações mundiais só aumentaram 1,9% no primeiro semestre de 2014 face o mesmo período de 2013, mas no segundo semestre o crescimento homólogo foi de 3,7%.

A fraca procura das importações na União Europeia afetou, consideravelmente, o comércio mundial nos últimos anos, devido à grande participação da UE nas importações mundiais (32% em 2014, incluindo o comércio entre os países membros da UE e 15% quando estes são excluídos).

Para este ano, a OMC prevê que as exportações das economias em desenvolvimento aumentem 3,6% e as importações 2,7%.

Em relação às economias desenvolvidas, a organização prevê que tanto as exportações como as importações registem um acréscimo de 3,2%.