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Oito medidas drásticas do FMI para Atenas

O Financial Times soube de oito medidas de "austeridade" que estariam a ser finalizadas entre o FMI e o governo grego. À cabeça, uma subida do IVA em dois pontos percentuais. "Abolição" dos 13º e 14º meses também constaria

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

O Financial Times soube de oito medidas que fariam parte do "pacote" de austeridade que está a ser negociado em Atenas entre o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu, a União Europeia e o governo grego, segundo o Eurointelligence.

O pacote poderá ser divulgado este fim de semana, mas terá de ser discutido no Parlamento grego na próxima semana. A ministra francesa da Economia adiantou em Xangai que uma reunião informal do Eurogrupo (grupo dos ministros das Finanças e da Economia dos 16 países membros da zona euro) poderá ocorrer este fim de semana.

Fruto destes rumores, o risco de default da dívida soberana grega baixou hoje de manhã para menos de 40%, mantendo-se, no entanto, em terceiro lugar no clube dos 10 de maior risco (onde se encontra, também, Portugal em 9º lugar), segundo o monitor da CMA DataVision.

O ajustamento orçamental até 2012 envolveria €24 mil milhões, 8,5% do PIB de 2009.

O Plano de Austeridade

As oito medidas principais seriam as seguintes:

1) Aumento do IVA em 2 a 3 pontos percentuais;

2) congelamento dos salários da Função Pública (FP) durante três anos e congelamento do recrutamento de novos funcionários (o funcionalismo publico representa 13% da população activa);

3) "anulação" dos 13º e 14º meses na FP;

4) não renovação de todos os contratos de curto prazo no sector público;

5) abertura de mais de 60 profissões com limitações à entrada;

6) fecho de mais de 800 entidades do estado grego em situação obsoleta;

7) aumento da idade de reforma dos 53 anos para os 67 anos;

8) plano de privatizações.

Números do Desafio Grego

Recordem-se os seguintes números de enquadramento sobre a situação grega

a) Necessidades de refinanciamento até 2014:  €186,9 mil milhões (2,3 vezes as necessidades no caso português);

b) Impacto negativo do ajustamento orçamental nas projecções de crescimento segundo o cálculo do economista Daniel Gros: 24,8% (quase 5 vezes o estimado para o caso português);

c) Pacote de empréstimos estimado para evitar o default nos próximos três anos: €100 a 135 mil milhões (mais de 2 vezes o que é estimado para o caso português).

Roménia (membro da UE): Empréstimos de €13 mil milhões; medidas mais drásticas: despedimento de 137 mil funcionários públicos; taxa de segurança social aumentada em 3,3 pontos percentuais;

Hungria (membro da UE): Empréstimos de €12,5 mil milhões; sector mais atingido prestações de saúde;

Ucrânia: Empréstimos de €12,5 mil milhões;

Islândia: Empréstimos de €2,1 mil milhões;

Letónia (membro da UE): Empréstimos de €1,7 mil milhões; medidas mais drásticas: IVA aumentado de 5 para 21%; salários da FP cortados em 25%; cortes nas prestações de saúde de 40%.