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O depoimento do contabilista que desmente Salgado

Expresso revela os documentos que relatam a entrevista que Machado da Cruz deu aos advogados contratados como conselheiros legais da Espírito Santo Control. O contabilista diz que Ricardo Salgado, José Manuel e Manuel Fernando Espírito Santo sabiam.

A reunião decorreu no dia 28 de março, entre as 10h00 e as 16h00. Os advogados contratados pela holding da família Espírito Santo, a Espírito Santo Control, confrontaram Francisco Machado da Cruz sobre os erros nas contas da Espírito Santo International (ESI). João Martins Pereira, ex-administrador de empresas do Grupo Espírito Santo, também esteve presente. Martins Pereira era um profundo conhecedor das contas do GES e do BES, já que também liderou a compliance do banco por mais de 10 anos depois de deixar em 2002 a PwC, onde era sócio. Curiosidade: a PwC deixou por opção própria de auditar o BES nesse mesmo ano. 

Três dias depois da reunião, a equipa de advogados da Arendt & Modernach enviou um relatório completo e uma transcrição da reunião [ver o documento no fim deste texto] com os dois responsáveis do GES ao próprio Martins Pereira e a Domingos Espírito Santo Pereira Coutinho, administrador da ESI. O Expresso noticiou a 12 de junho essas declarações de Machado da Cruz, e esta semana, depois de Ricardo Salgado ter afirmado na comissão parlamentar de inquérito que o contabilista teria depois assumido toda a responsabilidade, o Expresso publica um excerto da conversa, composto por 40 perguntas e as respetivas respostas (o documento, que pode consultar no fim deste artigo, está em inglês e francês). Todas refletem, tal como diz o documento dos advogados, o que disse Machado da Cruz na ocasião, mesmo que não seja uma citação em discurso direto. As afirmações de Martins Pereira estão devidamente assinaladas. Os documentos originais podem ser consultados em expresso.sapo.pt.

Machado da Cruz assume toda a responsabilidade sobre as contas, mas para ilibar de qualquer culpa os seus subordinados.  E diz que Ricardo Salgado sabia. E não só. Que pelo menos mais dois membros do conselho superior sabiam que as contas não eram verdadeiras: Manuel Fernando Moniz Galvão Espírito Santo Silva e José Manuel Pinheiro Espírito Santo Silva.

Os advogados concluem que as contas foram alteradas não por negligência, mas com o objetivo de esconder as perdas da ESI desde 2008.  

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