Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

O BdP suspeitou de fuga de informação sobre a resolução do BES? Carlos Costa não se lembra

  • 333

FOTO Tiago Miranda

O governador do Banco de Portugal (BdP) não consegue lembrar-se se usou a expressão "fuga de informação" quando ligou ao presidente da CMVM na véspera da resolução do BES a propósito da queda abrupta das ações do banco.

Anabela Campos e Isabel Vicente

"Referiu ou não a frase fuga de informação, quando na sexta-feria, 1 de agosto, ligou ao presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) preocupado porque as ações do BES estavam a cair a pique?", pergunta a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mórtagua? "Eu acho que não usei as palavras fuga de informação", respondeu Carlos Costa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BES/GES.

O governador do BdP prosseguiu: "neste momento não consigo reconstituir o telefonema. A minha preocupação era evitar que houvesse uma fuga de informação". "Não me lembro", disse depois, perante a insistência da deputada. Sublinhou, porém, que pretendia que a negociação das ações do BES fossem suspensas, como foram.

De manhã, Carlos Tavares, presidente da CMVM, tinha dita na CPI que na tarde do dia 1 de agosto o governador lhe tinha ligado preocupado com uma eventual fuga de informação em relação ao caso do BES. As ações foram suspensas. A 3 de agosto é comunicada a intervenção no BES e a separação em dois, banco bom e banco mau.

Antes, ao deputado do PCP, Miguel Tiago, o governador tinha dito: "Nunca imaginei que iria fazer uma intervenção". E sublinhou: "o que disse ao presidente da CMVM é que estava preocupado com o facto de a cotação do BES estar a descer bastante. E não me lembro de ter voltado a falar". A versão de Carlos Tavares transmitida esta manhã era que o governador lhe tinha ligado duas vezes. 

O governador disse ainda a Miguel Tiago: "Não tinha medo (nenhum de fuga de informação), o que tinha era a cotação a cair mais do que era previsível". E por isso era preciso suspender as transações."