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Nissan decidiu cancelar fábrica de baterias há duas semanas

Decisão de cancelar a fábrica de Aveiro foi tomada há 15 dias e relaciona-se com a inviabilidade da unidade portuguesa fornecer às fábricas da Turquia, de Barcelona, de Inglaterra e dos EUA.

J. F. Palma-Ferreira (www.expresso.pt)

"O mundo mudou muito depressa e a Nissan teve de tomar uma decisão rápida sobre o investimento que estava a fazer em Aveiro, na fábrica que ia produzir baterias: há quinze dias confirmou-se a inviabilidade da fábrica de Aveiro fornecer as baterias às fábricas da Turquia, de Inglaterra, de Barcelona e dos EUA, porque já são abastecidas por outras fábricas de baterias da Nissan que estão a produzir em grande cadência", explicou ao Expresso a fonte oficial da Nissan em Portugal.

Um dos problemas do investimento da Nissan em Portugal é que não estava associado a uma unidade que fabrica veículos elétricos, exportando toda a sua produção. "Como o Japão está a produzir muito mais baterias do que inicialmente se previu, tem capacidade para abastecer a nossa atual produção de veículos elétricos, o que inviabiliza os projectos como o da fábrica de Aveiro", explica a fonte da Nissan.

Nissan só vendeu 92 carros elétricos em 2011 

Entre janeiro e novembro a Nissan vendeu 92 veículos elétricos Leaf, num mercado onde tem uma quota de aproximadamente 60%. Metade destas viaturas foram compradas por empresas. "As pessoas contavam com os incentivos públicos que inicialmente foram propostos para a compra de veículos elétricos mas cujos pagamentos demoraram bastante a ser feitos", refere a fonte da Nissan.

Sem incentivos, um Nissan Leaf custa 35.850 euros em Portugal, o que o coloca num segmento pouco acessível à generalidade dos agregados familiares portugueses. Por outro lado, a circulação destas viaturas exige a instalação de uma rede mínima de postos de abastecimento rápidos, que tem demorado a ser criada. "Faltam instalar 50 postos de abastecimento rápidos que era suposto estarem já operacionais", comenta a fonte da Nissan.

Até hoje, a Nissan contruiu a infraestrutura que iria servir para a fábrica de baterias. "A nave está construída e agora vamos ver a utilização que lhe vai ser dada", refere ainda a mesma fonte.