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"Não há garantias que mudanças continuem de forma suave", diz Vítor Gaspar

O ministro das Finanças defendeu em Berlim que os Estados Unidos e a Europa devem estar preparados para "trabalhar de forma construtiva na necessária adaptação da governação mundial".

Os equilíbrios de poder na economia global estão a mudar e "não pode haver garantias de que a transição irá continuar de forma suave", alertou esta manhã numa conferência em Berlim o ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Os Estados Unidos e a Europa devem, por isso, "estar preparados para trabalhar de forma construtiva na necessária adaptação da governação mundial", defendeu o governante português, a quem coube o discurso de abertura da conferência na European School of Management and Technology, em Berlim, dedicada aos "desafios económicos transatlânticos numa era de multipolaridade crescente" . A atual transformação global em curso "irá inevitavelmente envolver mais países nos centros de decisão mundiais ", e "o poder económico e político terão que se reorganizar de forma a incluir as potências emergentes", disse Vítor Gaspar, para quem os "encontros do G20 são um exemplo claro destas mudanças". A cooperação na economia global, defendeu o ministro das Finanças, "requer a adaptação da governação das organizações multilaterais e que grupos como o G20 se adaptem a estes padrões de mudança". O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, por exemplo, são dirigidos desde a sua fundação no início dos anos 50 por um europeu e um norte-americano, respetivamente, fato que o ministro enquadrou no peso que a Europa e os EUA tinham então no PIB mundial. Ora esta realidade foi alterada.

Apelo às responsabilidades do eixo transatlântico

"No século entre 1950 e 2050, o peso da Europa no PIB mundial terá caído dos 28,2 para 17,9% e os EUA para 19,6%o. No mesmo período a Ásia irá duplicar o seu peso de 18,4% para 36,5%", sublinhou. Vítor Gaspar sublinhou as responsabilidades do eixo transatlântico na construção de uma nova moldura do poder político, económico e financeiro global, assente no "muito" que EUA e Europa têm em "comum", "desde os valores fundamentais da democracia e direitos humanos ao mercado como o mecanismo predominante de distribuição de riqueza". Esta articulação é tanto mais importante quanto "não pode haver garantias de que a transição irá continuar de forma suave. A abordagem cooperativa multilateral, que sou tentado a definir como a abordagem europeia, é apenas uma maneira de como podemos conceber a transição", sustentou. A crescente necessidade da cooperação transatlântica acontece, por outro lado, num contexto em que Estados Unidos e Europa se encontram numa posição particularmente frágil. A crise das dívidas soberanas e da banca na Europa e os persistentes défices orçamentais elevados nos EUA, somados a rácios de dívida cada vez mais altos, em combinação com uma economia fraca, são os problemas atualmente "percecionadas como as duas mais importantes fontes de risco para a economia global", disse. Esta crise "parece estar a acelerar" o que esperávamos que fosse acontecer a longo prazo. "As posições relativas estão a mudar rapidamente e um novo paradigma parece mais próximo. Neste contexto, parece claro que o modelo de governação mundial precisará de mudar", sendo "vital enquadrar as relações transatlânticas num padrão multilateral global inclusivo", defendeu.