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"Não era possível capitalizar o BES em 48 horas"

Vitor Bento não consegue recordar exatamente o que foi falado com a ministra das Finanças a 30 de julho, mas diz que as 48 horas dadas pelo vice-governador do Banco de Portugal, Pedro Duarte Neves, "era do ponto de vista factual incumprível ".

Face à insistência do deputado do PS, Pedro Santos, sobre se o Banco de Portugal (BdP) acharia a 29 de julho possível a capitalização do BES, Vítor Bento explicou mais uma vez que não havia tempo. "Não posso fazer juízos de intenções ". O que sabe, diz, "é que era materialmente impossível cumprir o prazo", até porque "até ao dia de apresentação dos prejuízos não era possível ter conversas com as entidades interessadas em tomar uma posição significativa no BES".

Falando perante ois deputados da comissão parlamentar de inquérito ao caso BES e GES, adiantou que havia interessados:"Vários fundos de investimento demonstraram interesse", especificando que a Goldman Sachs nunca revelou intenção em entrar no capital do BES, pelo menos de forma significativa. 

Vítor Bento explicou ainda que no final de julho o BdP estava interessado em que houvesse uma capitalização privada mas, mais uma vez, "acabámos por não ter tempo para testar esse cenário possível".



E segundo o ex-presidente do Novo Banco, mesmo quando se disse a 30 de julho, nomeadamente o BdP, que era desejável uma capitalização privada ou pública, isso não era possível em termos de tempo para executar uma ou outra. A não ser, conclui Bento, se houvesse um compromisso sério nesse sentido. Ou seja, compromisso entre o Governo e BdP junto do Banco Central Europeu (BCE).