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Mota-Engil África vale mais €100 milhões do que a casa-mãe

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Uma obra Mota Engil e Emocil em Moçambique: a construção de uma ponte sobre o rio Zambeze

DR

O mercado avalia a sucursal africana da Mota-Engil em 750 milhões de euros. Mais 100 milhões do que a  Mota-Engil SGPS.

A Mota-Engil África, cotada na Bolsa de Amesterdão, vale mais 100 milhões do que a casa-mãe, a Mota Engil SGPS. Esta segunda-feira, o braço africano do conglomerado fechou a valer 750 milhões de euros, uma capitalização que compara com os 645 milhões da Mota-Engil SGPS, cotada em Lisboa.

A holding da família Mota detém 83% da companhia africana. Isto é, o mercado entende que as restantes operações (Europa e América Latina ou concessões, por exemplo) da Mota-Engil retiram valor ao conglomerado.

Liquidez reduzida

A sucursal africana estreou-se em bolsa a 24 de novembro de 2014, a valer 1,1 mil milhões de euros, mas sofre de uma reduzida liquidez que aumenta a volatilidade e condiciona a cotação.

Dos 100 milhões de ações admitidas, 83% pertencem à Mota-Engil SGPS. A parte restante (17%) foi distribuída como dividendo em espécie aos acionistas. Como à família Mota coube 11%, a liquidez reduz-se para menos de 7%.

Na estreia, a cotação técnica da Mota-Engil África era de  11,5 euros (ontem fechou a 7,49 euros). A oferta pública inicial, incluindo uma venda de ações de que resultaria um encaixe para a Mota Engil SGPS de 300 milhões de euros, esteve anunciada para julho, mas a turbulência dos mercados por causa do colapso do Grupo Espírito Santo levou a empresa  a adiar a operação.

O presidente-executivo Gonçalo Moura Martins reafirmou esta segunda-feira que o grupo "continua a monitorizar as condições de mercado", mas não sabe quando a operação poderá avançar.

África com rentabilidade em alta

África permanece como a região em que a construtora da família Mota mais prospera e mais dinheiro ganha. Repare-se nos indicadores de 2014: a operação africana representou 45% da faturação (2,4 mil milhões de euros no total) e 67% dos ganhos operacionais (EBITDA) de um total de 409 milhões. Mas, em 2014, o resultado líquido em África foi afetado pelo aumento das amortizações em 27 milhões, devido à conclusão da obra do corredor de Nacala (Malawi).

 O desempenho na América Latina é, por enquanto, menos estimulante. O peso de 23% na produção não se reflete na libertação de dinheiro (9%). Mas, olhando para a carteira de encomendas verifica-se que a América Latina está a ganhar terreno ao continente africano e surge como a nova locomotiva do grupo.

No conjunto de 4,4 mil milhões de euros de empreitadas, a América Latina (45%) supera largamente a região africana (32%). México e Brasil impulsionam a produção. Em África, o conglomerado opera em 10 mercados que diversifica o risco e o protege de eventual instabilidade de um ou outro

Este ano, a Mota-Engil SGPS valorizou 18% em bolsa, recuperando da severa punição registada na segunda metade de 2014. Nos últimos 12 meses perdeu 40% do valor em bolsa.